A volta de Jorge Sampaoli ao Atlético-MG mostra o descrédito que vivem os técnicos brasileiros. E isso é sério. Não há resgate e nem oportunidades para os que estão desempregados, e apenas busca por nomes estrangeiros, mesmo que já não sejam unanimidades e tenham tido passagens contestadas. Qualquer time, pensa primeiro em um nome de fora.

E o que já foi modismo desde a vinda de Jorge Jesus há seis anos, virou regra. Esse mesmo modismo escancarou outras necessidades que o futebol brasileiro tinha e estes estrangeiros vieram preencher, e agora se tornaram realidade. E não tem nada a ver com maior entendimento de futebol, mas há muitas coisas interligadas que os técnicos brasileiros ainda não conseguiram detectar e perderam espaço. E vai ser difícil recuperar.

Renato, Rogério, Dorival, Mano, Roger e Diniz são os poucos que ainda têm conseguido circular pelos clubes da Série A. Mais do que os técnicos estrangeiros apresentam, é preciso refletir porque essa tendência chegou e ficou, o que há de diferente ou de novo. Vai muito além do modismo, e talvez isso tenha feito o cenário não mudar. Os desempregados técnicos brasileiros ficaram esperando a moda passar e ela não passou. E agora?

Sim, há uma tolerância maior quanto a resultado quando se fala de um nome não brasileiro, mas o que realmente tem sido preponderante para esse domínio? Nossos técnicos não trabalham na Argentina, mas de lá estão vindo comissões inteiras. Há pouco espaço para brasileiros em Portugal, mas aqui virou porta de crescimento para muitos lusitanos.

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O futebol está mais globalizado do que nunca, mas identidade e raízes não se unificam. Cada país tem sua história e característica que são únicas, e precisam ser mantidas enquanto diferencial de competitividade, e isso é dado pelos técnicos que precisam entender muito mais do que tática e formação, precisam conhecer históricos. Carlo Ancelotti, quando foi à Arena Fonte Nova ver um jogo do Bahia, destacou a importância de entender a cultura brasileira para o futebol para dimensionar essa relação histórica-técnico-tática.

O momento de transição já passou. Agora é realidade. É preciso uma releitura urgente de técnicos brasileiros não quanto a conhecimento, mas quanto a direcionamento, ou o teto de trabalho será apenas nas divisões inferiores do nosso futebol.

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