A nomeação feita pela Justiça do Trabalho de um interventor para cuidar da parte financeira e administrativa do Londrina pode resultar em nova troca de acusações entre ex-presidentes e trazer à tona a conduta de quem ocupou a cadeira mais importante na sala administrativa do Londrina Esporte Clube. Nos bastidores, essa é a aposta de quem já passou por lá.
O presidente Peter Silva não quis se pronunciar ontem. Ele convocou uma entrevista coletiva para a manhã desta terça-feira com o objetivo de mostrar o que está sendo feito para tentar reverter a situação. Peter estará amparado pelos advogados que cuidam do caso. ''Primeiro, preciso ficar por dentro de tudo'', resumiu o cartola, que vem evitando a imprensa deste então.
A interlocutores, o presidente disse que a medida veio em boa hora e que o torcedor veria, finalmente, quem é quem na história do clube. Na visão da atual diretoria, a culpa da situação financeira caótica e o consequente descumprimento das obrigações financeiras é culpa apenas das administrações passadas, como o advogado do clube, Ricardo Ramalho Cardoso, disse na audiência de sexta-feira.
O ex-presidente e atual vice de Peter, Agostinho Miguel Garrote, falou sobre a situação, mas disse pouco. Ele evitou criticar o Departamento Jurídico e a Força-Tarefa do Londrina. ''Ordem judicial não se discute, se cumpre. Tem o Departamento Jurídico e a Força-Tarefa para cuidar disso da melhor maneira'', argumentou.
Garrote, no entanto, não acredita que o contador Rubens Moretti, que admnistrará o clube por tempo indeterminado, tente vasculhar o passado para tentar saber como o probelam começou e sim tente solucioná-lo. ''A intervenção não tem cunho investigativo e sim de administrar o que vai entrar (dinheiro) agora. Se isso acontecer (levantar o passado) será ótimo, porque todos ficarão sabendo de quem é a responsabilidade de cada ato'', analisou.
A intervenção determinada pelo juiz Reginaldo Melhado, da 6º Vara do Trabalho, foi motivada pelas dívidas trabalhistas, que em 2004 somavam R$ 2,5 milhões, mas principalmente pelo descumprimento do acordo que previa o pagamento de R$ 15 mil mensais, que seriam destinados a abatê-las.
Até julho deste ano, o clube possuía 118 ações trabalhistas apenas na jurisdição de Londrina. Dessas, 32 foram propostas em 1996, na gestão de Marcelo Caldarelli, hoje dono do Cambé Atlético Clube. Em 1997, foram 19 ações. Este ano foram registradas 14 ações até julho, todas apenas de conhecimento e não execução.
Em muitas destas ações, o clube foi condenado à revelia, ou seja, no momento da audiência entre as partes não havia nenhum representante para defendê-lo. Um exemplo ocorreu na metade do ano, quando o zagueiro João Renato ganhou uma ação nestas condições.
Caldarelli evitou comentar o assunto por enquanto e disse que convocará uma entrevista coletiva nos próximos dias para expor uma ''bomba'', que atingirá ex-dirigentes e funcionários. Segundo ele, tudo está documentado.
A reportagem ouviu ainda o ex-diretor jurídico e ex-presidente do clube, Osvaldo Sestário Filho, que hoje trabalha para a Futebol Brasil Associados (FBA). Ele considerou um abuso da Justiça do Trabalho a medida aplicada e não teme uma eventual operação ''pente-fino''. ''Se for para fazer só para desmoralizar e não punir é errado. Concordo desde que se cobre o ressarcimento dos culpados'', disse o advogado.
Peter foi intimado ontem e provisoriamente não manda no Londrina. Ontem mesmo, o contador Rubens Moretti, 44 anos, já iniciou o trabalho, mas ainda não falou com o cartola. Moretti afirmou que não dará plantão e que as decisões e o levantamento contábil serão feitos de seu escritório. ''Vamos tentar equilibrar as contas. Tudo vai passar pelas minhas mãos'', disse sem descartar uma varredura nos arquivos atrás de irregularidades. ''Vai ser avaliado e, se necessário, será feita uma auditoria'', informou o contador.

mockup