São Paulo - A demissão do técnico Daniel Passarella, oficializada ontem pela diretoria do Corinthians e da MSI, era a decisão mais lógica e aguardada nos últimos dias no futebol brasileiro. Desgastado, o treinador já não tinha mais clima para continuar no comando da equipe. E nem o apoio de Kia Joorabchian, homem forte da MSI, foi suficiente para sustentá-lo no cargo após a goleada por 5 a 1 sofrida para o São Paulo, no último domingo. Emerson Leão, atualmente no Vissel Kobe, do Japão, segue como o nome preferido dos dirigentes. Márcio Bittencourt assume o comando do time interinamente, no duelo contra o Atlético Paranaense, domingo, em Curitiba.
Apesar dos problemas que enfrentou, Passarella não sairá do Corinthians pela porta dos fundos. Os dirigentes ofereceram ao argentino a possibilidade de assumir o cargo de diretor internacional da parceria Corinthians/MSI. ''Ele é uma pessoa mundialmente conhecida, será útil pelos contatos que pode fazer'', disse Andrés Sanchez, vice de Futebol do Corinthians.
Embora nem tenham definido ao certo quais serão suas atribuições, a aposta dos dirigentes é que Passarella aceitará o cargo e assim não terão de pagar cerca de R$ 3 milhões ao argentino valor referente ao que teria direito a receber, entre salários e outras obrigações contratuais, até o final do compromisso, que se estende até dezembro. ''Se ele continuar ligado ao Corinthians, não tem multa. Se ele não aceitar a proposta, vamos negociar de uma outra maneira'', disse Andrés.
Divisão O anúncio da demissão de Passarella foi emblemático. Até então, nas duas vezes em que o argentino tinha sido confirmado no cargo na última sexta-feira e depois da goleada frente ao São Paulo , quem se pronunciou foi Paulo Angioni, diretor da MSI, favorável à permanência do técnico. No entanto, ontem pela manhã, quando os dirigentes finalmente decidiram pela demissão, Nesi Cury, vice-presidente eleito do clube, oficializou a posição e Andrés Sanchez, vice de Futebol, explicou os motivos, à tarde.
''Todos vão dizer que a MSI perdeu nesse caso, mas a decisão foi tomada de comum acordo'', insistiu Sanchez, sem convencer. ''Queira ou não queira, houve alguns desacordos entre Corinthians e MSI, mas vamos trabalhar para arrumar isso, pois o projeto é maior do que qualquer treinador.''
O dirigente disse que além dos últimos resultados negativos derrotas para Botafogo e São Paulo, além da eliminação na Copa do Brasil para o Figueirense , pesou contra Passarella o ''dia-dia de trabalho''. Sanchez negou boicote dos jogadores ao argentino, mas admitiu dificuldades de relacionamento. ''Ele chegou com um conceito diferente, para dirigir um elenco que não montou, falando uma outra língua (espanhol)'', disse Sanchez. ''Infelizmente, não teve o sucesso que ele nem nós esperávamos.''

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