São Paulo - Em meio a uma das maiores crises de sua história, a Fifa reelege hoje Joseph Blatter, candidato único, para mais um mandato à frente da entidade que controla o futebol mundial - será seu quarto consecutivo.
No meio de um fogo cruzado e com incerteza sobre a postura que as confederações que sempre lhe foram leais possam adotar, Blatter espera que as 208 associações que compõem a Fifa revalidem a confiança que depositaram desde 1998.
A entidade foi assolada nas últimas semanas por uma série de acusações de suborno e uma sucessão de escândalos de compras de votos. O próprio Blatter foi uma das pessoas investigadas e foi acusado de querer comprar votos para assegurar sua reeleição. No entanto, ele acabou inocentado pelo comitê de ética da entidade. Outros envolvidos no caso, porém, não tiveram a mesma ''sorte''.
As denúncias também recaem sobre o processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar). Sem dar respostas claras sobre o que está sendo feito para investigar todas as acusações contra seus membros, a Fifa apenas tenta varrer para baixo do tapete a grande sujeira que toma conta de sua estrutura.
As federações de Inglaterra e Escócia chegaram a pedir o adiamento das eleições. O presidente da Associação Inglesa (FA), David Bernstein, reivindicou o adiamento para ''dar credibilidade ao processo e para qualquer candidato alternativo ter a oportunidade de se candidatar''.
Ontem, na abertura do 61º Congresso da Fifa, Blatter comentou um pouco a atual situação complicada que a entidade vive. ''Nós vivemos em um mundo de constante mudança e vivemos em um mundo de tribulações. Problemas que são causadas por desastres naturais: no Haiti, no Chile, no Paquistão, na Austrália, Nova Zelândia e Japão'', começou dizendo o mandatário. ''Eu achei que o futebol poderia fazer uma diferença graças aos valores de respeito do jogo, ao fair-play e à disciplina. Mas não parece ser o caso'', lamentou o presidente.
Segundo ele, os valores do futebol precisam ser protegidos, pois o futebol não tem dono. ''A pirâmide do futebol está balançando em suas fundações. No entanto, o futebol precisa ser protegido, pois ele pertence aos fãs, aos jogadores e não às entidades. O jogo pertence a todos'', refletiu.

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