A crise econômica e má campanha do time no Campeonato Brasileiro estão atrapalhando os planos da diretoria do Atlético Paranaense, que queria inaugurar ainda este ano a primeira fase de construção da nova Arena da Baixada, com 32 mil lugares. Quando estiver totalmente concluído, o estádio Joaquim Américo deverá comportar 50 mil espectadores sentados. A obra está orçada em R$ 15 milhões.
No último sábado, em entrevista a uma emissora de rádio, o presidente do clube, Mário Celso Petraglia, voltou a reclamar da pouca adesão dos torcedores na concretização do projeto. A previsão era entregar a primeira fase da Arena no dia 31 de julho.
O dirigente chegou a afirmar que o clube não tem mais dinheiro para investir na nova Baixada. ‘‘Pouco mais de 80% da Arena já está construída. Para terminar os 20% que restam, precisamos vender mais 2.500 cadeiras para arrecadar R$ 5 milhões’’, calculou Petraglia.
O engenheiro civil responsável pela obra, Luiz Volpato, disse que se houver dinheiro suficiente, executa o que falta da primeira fase em 40 dias. ‘‘Só não foi possível cumprir o que estava estabelecido porque o fluxo financeiro cessou. Tanto é assim, que a partir de agora, decidimos não fixar outro cronograma para o término dos trabalhos’’.
De acordo com Volpato, a Arena já se encontra na fase de acabamento, incluindo instalações elétrica, hidráulica, revestimento de piso e parede, além de pintura. ‘‘A estrutura da cobertura metálica, por exemplo, está medida e executada. Só falta a colocação’’.
Segundo o diretor-administrativo do clube, Alberto Maculan, foram vendidos até agora perto de 1.500 direitos de uso de cadeiras, por cinco anos, ao preço de R$ 2 mil cada. ‘‘O torcedor pode pagar esse valor à vista ou financiar em até 36 meses de R$ 80,00. Nesta semana, devemos lançar um plano para comercializar 500 cadeiras perpétuas, por R$ 6 mil à vista ou em 10 vezes de R$ 600,00’’.
Durante toda a tarde de ontem, a reportagem da Folha ligou para o telefone 323-1646, onde deveria funcionar a central de vendas do clube. As ligações não foram atendidas. Informado do fato, Maculan mostrou-se surpreso: ‘‘É um serviço de televendas terceirizado pela empresa Promove. Foi bom você me dizer que ninguém atende nesse número, porque vou procurar saber o que está acontecendo’’.
Maculan também procurou minimizar o índice de inadimplência no pagamento das cadeiras: ‘‘Ele não chega a 5% dos clientes.’’. Mas uma funcionária do setor de crédito e cobrança do clube disse que o número de torcedores com mensalidades atrasadas vem crescendo nos últimos meses: ‘‘Os inadimplentes estão chegando aos 50%’’.
Enquanto o departamento de marketing do clube não define uma estratégia para mobilizar o torcedor, o presidente da torcida organizada ‘‘Os Fanáticos’’, José Carlos Belotto, demonstra preocupação com a ameaça de rebaixamento. ‘‘Assim que os resultados positivos voltarem, os torcedores vão voltar a colaborar. A situação econômica do País também não está colaborando, o desemprego está crescendo e o salário não aumenta’’.Kraw PenasQuase parandoO novo estádio do Atlético, que já tem 80% das obras construídas, só vai ficar pronto se a torcida colaborar e comprar as cadeirasResultados ruins do Atlético no Brasileiro e a situação financeira do País encalham venda de cativas

mockup