São Paulo, 15 (AE) - O Grande Prêmio do Brasil não terá a presença de grandes nomes do atletismo mundial. Com o orçamento reduzido em R$ 250 mil por causa da desvalorização do real frente ao dólar, o Grande Prêmio Brasil de Atletismo não terá estrelas na 15.ª edição do torneio, confirmada para o dia 25, no Estádio Célio de Barros, no Rio. A prova do Brasil, que abre o circuito internacional de GPs da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), já recebeu atletas como Michael Johson, bicampeão olímpico dos 200 e 400 metros e Sergei Bubka, recordista mundial do salto com vara.
"Desta vez não vamos contar com nenhuma grande estrela", confirmou Victor Malzoni Jr., diretor-geral do GP. "Infelizmente, não podemos trazer atletas como os velocistas Michael Johnson ou Marion Jones. "Além de Johson, referia-se a norte-americana que foi eleita, duas vezes seguidas, a melhor corredora do mundo. Este ano, o organizador da prova terá um orçamento de R$ 800 mil. Em 1998, a verba, em dólar, foi de US$ 600 mil. "Isto significa menos R$ 250 mil ."
O mais importante, em tempos de crise econômica, é manter o padrão exigido pela Iaaf, segundo Malzoni. O regulamento da entidade dirigente do atletismo prevê que o GP deve ter pelo menos quatro atletas ranqueados entre os 50 melhores do mundo em dez provas. O não cumprimento deste item traria sérias consequências, como a perda da condição de GP. O torneio do Brasil poderia ser rebaixado a condição de meeting, como foi nos primeiros cinco anos. "São vários os países candidatos a sediar um GP", comentou, acrescentando que a boa infra-estrutura para receber os atletas e na organização do evento será mantida.
O GP do Brasil terá 12 provas. E os organizadores pretendem trazer de cinco a seis atletas ranqueados por prova. "Teremos cerca de 70 estrangeiros e, mesmo com orçamento reduzido, esperamos ter algumas provas muito competitivas." Além da preocupação com o número de ranqueados, o clima no dia da prova, é algo que também tira o sono dos organizadores. "Além da desistência de atletas de última hora temos uma enorme preocupação com a chuva", afirma Manoel Vasco Arroyo, diretor-técnico da competição.
"Como não teremos nenhuma prova muito longa - a maior distância será os 1.500 metros -, o ideal seria ter sol e calor."
Vasco supervisiona a montagem do estádio, a hospedagem, a alimentação e o transporte dos atletas - aéreo e interno -, e faz funcionar uma infra-estrutura que apenas no dia da prova envolve mais de 300 pessoas entre seguranças, auxiliares, árbitros, médicos, massagistas, motoristas, jornalistas, intérpretes entre outros profissionais.
Observou que cada detalhe preocupa, desde ações burocráticas como contatos com o Itamaraty para a obtenção de vistos de entrada de atleta no País, até ações técnicas como a montagem de arquibancadas, geradores, sistema de som etc. "Tudo isso tem de funcionar, mas o que mais preocupa mesmo é termos os atletas ranqueados em todas as provas."

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