Crise do Real paralisa obras no Morumbi
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 03 (AE) - A desvalorização do real em relação ao dólar ameaça a conclusão da obra de reestruturação do Estádio do Morumbi. A diretoria do São Paulo precisa comprar mais 66 amortecedores para serem instalados nas 72 colunas de sustentação da estrutura do estádio. Cada amortecedor custa US$ 40 mil. Antes da virada do ano, a importação custaria R$ 3,2 milhões. Agora, com a o aumento do dólar, aumentou para R$ 4,8 milhões - tornando a obra 50% mais cara.
O presidente José Augusto Bastos Neto suspendeu a compra dos aparelhos importados e negocia com empresas da Itália e da França uma transação em reais. Os dirigentes são-paulinos consideram inviável continuar tocando a obra com orçamento baseado na moeda norte-americana diante das constantes oscilações do dólar.
O clube já instalou seis amortecedores e planejava colocar o restante até fevereiro do ano 2000. Mas as mudanças na economia brasileira e a desvalorização do real podem prorrogar o prazo previsto para o término da reforma do estádio, que tem como objetivo diminuir em 50% a vibração das estruturas.
"O cronograma será cumprido de acordo com a disponibilidade em caixa", indica o diretor de Finanças do clube, Paulo Amaral. "Estamos em negociação com uma firma italiana e uma francesa e pedimos para que elas nos fizessem uma nova proposta de venda dos amortecedores dentro de um câmbio viável, com uma taxa fixa em reais." Segundo o diretor, as empresas têm interesse em vender os produtos para o clube, o que garantiria o término da obra. O problema agora é rediscutir os valores e firmar um contrato na moeda brasileira.
Os seis amortecedores instalados não reduziram totalmente a vibração das arquibancadas do estádio. Por isso, o Departamento de Controle e Uso de Imóveis de São Paulo (Contru) limitou a capacidade de público daquele setor do estádio em 13 mil pessoas. As arquibancadas podem receber até 40 mil torcedores.
Até o momento, o São Paulo já gastou R$ 12 milhões com a reforma do Morumbi. Se o São Paulo se classificar em primeiro lugar no Grupo 2 do Torneio Rio-São Paulo, o clube deverá promover no dia 24 a inauguração do novo sistema de iluminação do gramado, que custou US$ 800 mil.
As antigas torres de iluminação do estádio tiveram a altura reduzida pela metade e foram unidas por uma estrutura metálica. Agora, serão duas faixas horizontais mais próximas do gramado, que vão triplicar a capacidade de iluminação do campo. A diretoria pretendia inaugurar a nova iluminação no jogo contra o Corinthians, dia 10, mas por causa das finais do último Campeonato Brasileiro e das chuvas de verão, as obras atrasaram.
O técnico Paulo César Carpegiani espera que quando as novas luzes forem acesas, o gramado do Morumbi esteja em melhor estado. O treinador reclamou dos buracos no campo. O goleiro Rogerio foi além: "Em nove anos de clube nunca tinha visto o gramado do Morumbi num estado tão ruim". Os diretores alegam que as chuvas, o excesso de jogos em dezembro e janeiro prejudicaram o gramado.


