São Paulo - Apenas três pilotos não completaram o GP de Bahrein, no último dia 4, na terceira etapa do Mundial de Fórmula 1: Kimi Raikkonen e David Coulthard, da McLaren, e Zsolt Baumgartner, Minardi. Na classificação do campeonato de construtores, a McLaren conquistou quatro pontos, diante de 51 da Ferrari. É a quinta colocada, e já foi ultrapassada pela BAR, quarta, com 19 pontos. Antes mesmo da largada seus pilotos sabem: dificilmente completarão a corrida. Nunca como agora na sua história a McLaren chegou tão fundo no poço. A Mercedes, sua sócia majoritária, quer mudanças na equipe já.
O nome McLaren está de alguma forma associado a milhões de brasileiros. Durante cinco anos, de 1988 a 1993, o piloto que mais se identificou com a nação, Ayrton Senna, disputava as vitórias e títulos competindo pela McLaren. O time inglês tornou-se sinônimo de conquistas, eficiência profissional, verdadeira referência na Fórmula 1. Hoje, no entanto, é motivo de chacota. Este ano, por exemplo, o vice-campeão de 2003, Kimi Raikkonen, que terminou dois pontos apenas atrás do campeão, Michael Schumacher, da Ferrari, não concluiu nenhuma das etapas já realizadas. Foram dois motores Mercedes explodidos e uma pane na transmissão.
''Precisamos rever algumas coisas na equipe'', afirmou Ron Dennis, sócio com 30% da McLaren e seu diretor-executivo. O saudita Mansour Ojjeh tem 30% e a Mercedes, 40%. Norbert Haug, diretor esportivo da montadora alemã, não assume publicamente o que pensa, mas fora dos microfones diz que um dos problemas é falta de um líder dentro do time. O recado parece claro: o diretor geral contratado por Dennis, o inglês Martin Withmarsh, não correspondeu às expectativas. Para os mais próximos, Haug acusa Dennis de concentrar todo o seu tempo na finalização da mais fantástica sede que uma organização de Fórmula 1 já construiu, a Paragon, em detrimento do bom andamento da equipe.
As dependências da McLaren, em Surrey, ao sul de Londres, formam um conjunto futurista chamado Paragon. A direção da Mercedes defende a volta imediata de Dennis à direção do time, em substituição a Withmarsh, embora nada seja oficial.
Mas os problemas da McLaren não são apenas administrativos e sim técnicos também. A maior causa de abandonos e motivo principal da falta de competitividade do modelo MP4/19 é o motor Mercedes. Se lhe elevam o regime de giros estoura. Se o seu limitador de giros o impede de passar de 16 mil rpm, por exemplo, para preservá-lo, os pilotos da McLaren não têm como lutar por posições que os permitam marcar pontos, ou seja, classificarem-se entre os oito primeiros.

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