Rio, 29 (AE) - A desvalorização do dólar e a crise da economia brasileira prejudicam todos os esportes amadores. Desde o iatismo e a esgrima, cuja maior parte do equipamento usado em competiçäes de alto nível é importado, até o automobilismo e a preparação da equipe brasileira para os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg e as Olimpíadas de Sidney.
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, procurou minimizar os efeitos da crise sobre a preparação dos atletas do Pan no dia em que anunciava um novo patrocinador para a delegação, a Petrobrás. A estatal brasileira investirá R$ 3 milhäes na preparação dos atletas e na melhoria da infra-estrutura do COB, mas Nuzman sabe que os recursos ainda são insuficientes. "É evidente que a desvalorização do real traz um abalo naquilo que planejamos", afirmou.
"Por isso, estamos procurando formas de não sermos prejudicados." Para Nuzman, o ideal é que o orçamento da equipe olímpica e do Pan fosse de R$ 40 milhäes para os dois anos das competiçäes. Mas ele reconhece que será difícil se aproximar deste valor diante de um quadro recessivo na economia do País. Nuzman confia em que o Brasil retome o crescimento a partir do segundo semestre e negociará com o Ministro do Esporte e Turismo, Rafael Grecca, e o novo presidente do Instituto Nacional dos Desportes (Indesp), Manoel Tubino, o apoio do Governo ao esporte.
O nadador Gustavo Borges é defensor da criação de uma lei semelhante à Lei Rouanet, da Cultura, que preveja incentivos fiscais para empresas que financiem o esporte. O iatista Lars Grael, que assumiu o cargo de diretor de projetos especiais do Indesp, também é favorável à idéia.
A disparada da cotação do dólar prejudica todos os organizadores de eventos internacionais. Émerson Fittipaldi, que assumiu a promoção da Rio 200, etapa brasileira da Fórmula Indy, em 15 de maio, está vendo os custos da corrida aumentarem a cada dia. "Meus contratos e o da Prefeitura são todos em dólar", lembrou. "Até os hotéis do Rio cobram diárias em dólar."
Émerson e a Prefeitura têm de garantir passagens aéreas e quartos de hotéis para mais de 700 pessoas. O promotor pretende negociar com os hoteleiros alguma redução para não afastar o público que pretende trazer de outros Estados. A corrida foi antecipada para sábado para atrair turistas de São Paulo e do Sul, que poderiam ter a opção de ir à praia no domingo. Só que a alta do dólar pode inviabilizar as viagens.
As negociaçäes com patrocinadores têm ritmo lento. Grandes empresas, como Souza Cruz e Texaco, ainda esperam a definição dos rumos da economia para decidir sobre novos investimentos. Émerson quer fazer uma corrida de celebridades na preliminar do GP, com artistas e esportistas convidados, mas, com a crise das montadoras de automóveis, que demitiram funcionários em massa, ainda não encontrou uma empresa que forneça os carros.
"O jeito é usar a criatividade", ensinou o campeão, que fará uma caravana de motocicletas Harley Davidson pela cidade e reservará um setor de arquibancada para motociclistas, além de realizar festas e promover concursos para envolver os moradores do Rio em torno do evento.

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