Crise convence Corinthians virar empresa
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 04 (AE) - A ameaça da Fifa de suspender as atividades do clube, quarta-feira, em consequência de uma dívida de US$ 210 mil referente à compra do passe do meia Ricardinho do Bordeaux (França), foi a gota dágua para o presidente do Corinthians, Alberto Dualib. Diante da crise financeira do clube e do País, ele está convencido da necessidade de transformar o clube em empresa, uma exigência da Lei Pelé, a partir de 24 de março do ano que vem.
Para que isso seja possível, Dualib espera, enfim, fechar, na semana que vem, o acordo de parceria com o Banco Icatu. Além disso, ele tem mantido contatos periódicos com os membros do GAP (Grupo de Apoio à Presidência), formado pelos economistas Eduardo Rocha Azevedo, Emir Capez, Ibrahim Eris e Luís Paulo Rosemberg. Eles também auxiliarão na transformação estrutural do clube. "São homens com uma visão moderna e acostumados a lidar com milhões, justifica Dualib.
"O futebol atingiu valores astronômicos e precisa ser administrado por especialistas; temos de trabalhar desde já para essa transformação, porque as coisas não vão mudar, acrescenta
descrente quanto ao lobby dos grandes clubes para que a obrigatoriedade da transformação em empresa seja revista.
O Corinthians atravessa sérias dificuldades econômicas. Com uma dívida global estimada em R$ 15 milhões e uma folha de pagamentos girando em torno de R$ 2 milhões, o clube está impossibilitado de fazer contratações.
Na quarta-feira, vence o prazo estabelecido pela Fifa para o clube pagar US$ 70 mil dos US$ 210 mil ao Bordeaux, pela compra do passe de Ricardinho. Sob ameaça de suspensão, o Corinthians negocia com os intermediários da transação um valor médio de dólar para saldar as parcelas anteriores e futuras. No total, são 24.
"Quando compramos o passe do jogador, o dólar estava a R$ 1,10; só estamos reivindicando o direito de rever o acordo, como todos os clubes estão fazendo", afirma. Por enquanto, não há a possibilidade de Ricardinho ser devolvido. "Já tranquilizamos o atleta; vamos pagar, de um jeito ou de outro", diz o diretor de Futebol, Luiz Henrique de Menezes.
Visto como salvação para as finanças do clube, o acordo com o Icatu, em discussão desde o ano passado, deve ser fechado na próxima semana, segundo Dualib. Ele diz que o presidente do banco, Luís Antônio Braga, vem a São Paulo definir o assunto. O acordo tornou-se difícil, porque o Corinthians, com a crise, passou a exigir um indexador de reajuste para os R$ 430 milhões que o banco pretende investir em dez anos. "Com esse acordo e o Departamento de Futebol profissionalizado, seria um passo para a adaptação à Lei Pelé; teríamos um ano para pôr tudo em ordem."
Enquanto a diretoria trata dos problemas econômicos, o técnico Evaristo de Macedo prepara o time para a estréia no Campeonato Paulista, sábado, contra a Matonense. O zagueiro Batata, contundido, será substituído por Cris. O lateral Silvinho, recuperado de contusão, volta ao time.


