Celebrada como o grande feito do Londrina dos últimos anos, a parceria entre o clube e o empresário Adir Leme da Silva vai chegando ao fim menos de quatro meses após ser firmada e muito antes dos dez anos a que era projetada, de forma melancólica. Depois de muitos boatos e de o presidente Peter Silva ter procurado ''na surdina'' outro parceiro, agora é a vez de uma carta oficial do empresário apimentar a relação entre os dois grupos que duelam nos bastidores alvicelestes.
A carta foi escrita e distribuída pelo presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) e consultor científico do clube, Ariobaldo Frisseli, o Dedé, a pedido de Adir. No documento, ele defende o empresário e faz críticas a quem trabalha contra o parceiro.
Dedé fala que o projeto era de reestruturar o Londrina principalmente fora de campo, num trabalho considerado por ele complexo, conseguindo, assim, o ''resgate da credibilidade da marca Londrina''. ''O ser campeão no profissional seria uma consequência do trabalho bem realizado, principalmente fora de campo, pois entendemos que não adianta chegar ao topo se não conseguirmos permanecer no mesmo e, mais importante, sem causarmos problemas para o futuro do LEC (dívidas, ações)'', diz a carta.
Dedé afirma que existe muita vaidade no clube e que isso atrapalha, segundo ele, quando se trabalha com pessoas com ''mentalidade antiga''. ''Futebol-empresa exige comprometimento, dedicação, obediência hierárquica e 'saber gastar', estabelecendo prioridade na execução da ação'', escreveu.
O consultor disse que o trabalho visava uma economia e a transparência devido à receita classificada como insignificante. Citou as ações estruturais feitas por Adir, como reformas nos alojamentos do VGD e nos equipamentos e utensílios usados por lá, a diminuição no quadro de funcionários, e da colocação e jogadores em clubes de expressão, além de ter mantido, segundo ele, os salários em dia, fato que não era costumeiro no Tubarão. Dedé ainda lembrou de convênios feitos com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a FEL e a Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML) e do corte de gastos ''exagerados'' com viagens a Curitiba.
Dedé ainda confirmou os boatos de insatisfação de Adir, como o pequeno retorno por parte dos empresários londrinenses, o bloqueio da verba da Timemania e o da Sercomtel, as cobranças de dívidas de outras gestões, cobrança da imprensa, falta de segurança jurídica, falta de torcida no estádio, e de pessoas ligadas ao clube que trabalham contra nos bastidores.
No final da carta veio a certeza de que o mês de novembro será o último mesmo do empresário na gestão do Londrina. Dedé fala que Adir vai pagar as despesas dos meses de outubro e novembro e dá até data para os pagamentos.
Adir vai se manter em silêncio, pelo menos por enquanto. A manifestação dele foi feita através desta carta assinada por Dedé. Já Peter Silva promete um pronunciamento para esta tarde, para explicar em que pé está o relacionamento com Adir e sua ida a Curitiba para encontrar o dono da SM Sports, Sérgio Malucelli.
De acordo com o advogado Ricardo Ramalho Cardoso, que preside o Conselho Deliberativo do Londrina, a multa rescisória no contrato assinado entre Adir e clube é de 50% do valor investido pelo empresário até agora, que seria pago pela parte que for responsável pelo rompimento.

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