Crise afasta patrocinadores do futebol
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de abril de 2009
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
A exemplo do que acontecia até o início dos anos 80 no Brasil, quando ainda não havia liberação para que os clubes estampassem propaganda em seus uniformes, as camisas ''limpas'' voltaram a ser moda no futebol. Fenômeno comum a diversos clubes brasileiros e até a alguns estrangeiros, a falta de um patrocinador principal afeta também o Trio de Ferro da capital paranaense, que busca novos anunciantes para a disputa do Campeonato Brasileiro.
E têm a companhia de outros clubes de tradição como Atlético Mineiro, Cruzeiro, Bahia, Vitória e agora o Flamengo, que no início do mês encerrou o mais duradouro contrato de patrocínio do futebol brasileiro, com a Petrobras, que durou 26 anos. Recentemente, São Paulo e Corinthians também foram a campo sem anunciantes, até acertarem com novos patrocinadores.
Entre os três maiores clubes paranaenses, enquanto o Paraná mantém patrocínio com data certa para terminar (leia box), Atlético e Coritiba buscam empresas interessadas em estampar seus uniformes. Sem um patrocinador principal há um ano - o contrato com a Kyocera, que incluía além do patrocínio no uniforme o ''batismo'' do estádio rubro-negro (naming rights), encerrou-se no dia 31 de março de 2008 -, o Furacão deve fechar um acordo publicitário até o início do Brasileirão.
Ao menos esta é a expectativa do novo coordenador-geral de marketing do clube, Roberto Karam. ''O que nós identificamos neste primeiro momento é que é uma situação geral de mercado, que está em crise. Independentemente do esporte ou do futebol, o mercado publicitário está retraído'', afirma o dirigente, que lembra outro fator que influi para que as empresas não vejam nos clubes de futebol um bom veículo de propaganda.
''Existe uma grande desconfiança para investir no futebol por uma série de problemas que tivemos no passado, como nos casos da MSI no Corinthians, do Bank of America no Vasco, da ISL (Flamengo e Grêmio), que ainda desestimulam os investidores'', complementa.
Apesar disso, o coordenador diz que negocia com diversas empresas de grande porte tanto o patrocínio principal da camisa quanto os naming rights da Arena e do CT do Caju.
''Já tínhamos algumas situações encaminhadas para serem lançadas junto com o anúncio das sedes da Copa do Mundo mas, com o adiamento (a Fifa iria divulgar as cidades escolhidas para o Mundial de 2014 em março, mas postergou o anúncio para o final de maio), algumas empresas ofereceram valores mais baixos do que pretendíamos, para lucrar mais tarde, com a confirmação da Arena como uma das sedes da Copa. Mas mantivemos a nossa tabela e seguimos negociando com uma série de empresas, que no momento já oferecem valores mais próximos aos que o clube pretende'', explica Karam, que destaca que o Atlético tem a seu favor o fato de não estar inadimplente como outros clubes, mas tem alguma dificuldade por estar fora do Eixo Rio-São Paulo.
Já o Coritiba, que encerrou o acordo com a Positivo Informática no último dia 31 (exatamente um ano depois de seu maior adversário), também negocia com novos interessados. E igualmente precisa lidar com a recessão causada pela crise econômica mundial. ''O Coritiba tem várias propostas, mas a questão é chegar a um denominador comum entre as propostas que você tem e a que você faz'', destaca Eduardo Jaime, diretor de marketing do clube.
''Cada marca tem um valor e o Coritiba tem uma marca forte, mas estamos vivendo um momento recessivo do mercado que atinge outros clubes também. O Corinthians mesmo demorou bastante para fechar o patrocínio e teve que reduzir bastante o valor que pretendia receber. O São Paulo reduziu a pedida inicial pela metade'', acrescenta, antes de afirmar que não vale a pena baixar muito os valores pedidos: ''O Coritiba tem seu valor e, se não recebermos uma proposta que atinja este valor, talvez seja melhor jogar sem nenhuma marca na camisa.''


