Curitiba - A exemplo do que acontecia até o início dos anos 80 no Brasil, quando ainda não havia liberação para que os clubes estampassem propaganda em seus uniformes, as camisas ''limpas'' voltaram a ser moda no futebol. Fenômeno comum a diversos clubes brasileiros e até a alguns estrangeiros, a falta de um patrocinador principal afeta também o Trio de Ferro da capital paranaense, que busca novos anunciantes para a disputa do Campeonato Brasileiro. E têm a companhia de outros clubes de tradição como Atlético Mineiro, Cruzeiro, Bahia, Vitória e agora o Flamengo, que no início do mês encerrou o mais duradouro contrato de patrocínio do futebol brasileiro, com a Petrobras, que durou 26 anos. Recentemente, São Paulo e Corinthians também foram a campo sem anunciantes, até acertarem com novos patrocinadores.
Entre os três maiores clubes paranaenses, enquanto o Paraná mantém patrocínio com data certa para terminar (leia box), Atlético e Coritiba buscam empresas interessadas em estampar seus uniformes. Sem um patrocinador principal há um ano - o contrato com a Kyocera, que incluía além do patrocínio no uniforme o ''batismo'' do estádio rubro-negro (naming rigths), encerrou-se no dia 31 de março de 2008 -, o Furacão deve fechar um acordo publicitário até o início do Brasileirão.
Ao menos esta é a expectativa do novo coordenador-geral de marketing do clube, Roberto Karam. ''O que nós identificamos neste primeiro momento é que trata-se de uma situação geral de mercado, que está em crise. Independentemente do esporte ou do futebol, o mercado publicitário está retraído'', afirma o dirigente.
Apesar disso, o coordenador diz que negocia com diversas empresas de grande porte tanto o patrocínio principal da camisa quanto os ''naming rigths'' da Arena e do CT do Caju. ''Já tínhamos algumas situações encaminhadas para serem lançadas junto com o anúncio das sedes da Copa do Mundo mas, com o adiamento (a Fifa iria divulgar os cidades escolhidas para o Mundial de 2014 em março, mas postergou o anúncio para o final de maio), algumas empresas ofereceram valores mais baixos do que pretendíamos, para lucrar mais tarde, com a confirmação da Arena como uma das sedes da Copa. Mas mantivemos a nossa tabela e seguimos negociando com uma série de empresas, que no momento já oferecem valores mais próximos aos que o clube pretende'', explica Karam, que destaca que o Atlético tem a seu favor o fato de não estar inadimplente como outros clubes, mas tem alguma dificuldade por estar fora do Eixo Rio-São Paulo.
Já o Coritiba, que encerrou o acordo com a Positivo Informática no último dia 31 (exatamente um ano depois de seu maior adversário), também negocia com novos interessados. E igualmente precisa lidar com a recessão causada pela crise econômica mundial. ''O Coritiba tem várias propostas, mas a questão é chegar a um denominador comum entre as propostas que você tem e a que você faz'', destaca Eduardo Jaime, diretor de marketing do clube.
''Cada marca tem um valor e o Coritiba tem uma marca forte, mas estamos vivendo um momento recessivo do mercado que atinge outros clubes também. O Corinthians mesmo demorou bastante para fechar o patrocínio e teve que reduzir bastante o valor que pretendia receber. O São Paulo reduziu a pedida inicial pela metade'', acrescenta, antes de afirmar que não vale a pena baixar muito os valores pedidos: ''O Coritiba tem seu valor e, se não recebermos uma proposta que atinja este valor, talvez seja melhor jogar sem nenhuma marca na camisa''.

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