''E ê, criança presa, ê, brinquedo de trapaças, quase sem histórias pra contar...'' A letra da música de Benito de Paula com certeza não se aplica às 1.800 crianças das 42 escolas públicas de Londrina que foram ontem à tarde à Universidade Estadual de Londrina (UEL) participar da 2 etapa do Torneio Escolar de Londrina (Tornescolon). Depois das competições que participaram e das brincadeiras e da festa que fizeram nos ginásios do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), nenhuma delas iria reclamar que não teria histórias para contar aos pais ao chegar em casa.
A etapa do Tornescolon, que prossegue até sexta-feira, é justamente isso: uma grande confraternização e uma festa de encontro e de descoberta entre crianças de diferentes escolas, idades e níveis sociais. A manutenção do caráter festivo é a meta principal dos organizadores que decidiram estender o torneio também a crianças de 1 à 4 séries, que ainda estão em fase de iniciação na prática esportiva. Para elas (crianças), porém, os jogos são levados a sério, como se fossem uma verdadeira disputa.
Um exemplo foi o jogo de futsal entre alunos de 9 anos da Escola Municipal David Dequech (Parque Ouro Verde) e do Colégio Aplicação/UEL. Com o equilíbrio em quadra, a bola era disputada com extrema tensão entre os meninos, que reclamavam muito principalmente dos colegas de time quando havia erros na zaga e gols perdidas. No final, a vitória do Dequech por 4 a 1 foi comemorada aos pulos pelos vencedores, enquanto os outros deixaram a quadra de cabeça baixa, tal era a frustração.
O assessor da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) - entidade organizadora do Tornescolon -, Oscar Filla, ressaltou que todos os professores e árbitros fazem o possível para evitar esse clima de competição entre as crianças. E que ao final das partidas, todas são chamadas a cumprimentar e abraçar os alunos da escola adversária. ''O objetivo fundamental nessa faixa etária é promover a confraternização através do esporte, com fins educativos e formativos. Para reforçar esse caráter de festival, todas recebem medalhas ao final da etapa'', explicou Filla.
A pequena Giovana Maia, 8 anos, do Colégio Aplicação, entendeu esse espírito. Ela nem deu bola que seu time perdeu de 6 a 0 para a José Garcia Villar (Jardim Interlagos). Saiu de quadra, pegou rápido o lanche com o pai e correu para brincar com uma amiga de classe. Do lado da Escola Garcia Villar, a baixinha Thaís Vieira Santos, também de 8 anos, levou mais a sério a disputa e se mostrava ansiosa para o terceiro jogo. ''Estamos bem e já ganhamos o primeiro jogo daquelas meninas ali de verde'', disse ela, apontando para alunas da Escola Mari Bueno, do CAIC do Jardim Santiago.
Além do futsal e do mini-vôlei (quadra menor com três ou quatro jogadores de cada lado), também havia as disputas de bola-queimada, a sensação da garotada no ginásio e cujos jogos se transformavam em verdadeira farra. Dentro de quadra era aquele corre-corre e do lado de fora uma gritaria com as torcidas de cada escola. Amanda Souza e Flávia Pereira, da Escola Haidée Colli Monteiro (Jardim Paraíso), lamentaram que perderam o primeiro jogo para a Escola Garcia Villar, mas disseram que iriam entrar ''com tudo'' na partida seguinte. ''Ah, já que você está escrevendo, pode anotar aí que vamos nos esforçar ao máximo para ganharmos o próximo (confronto)'', disse Amanda ao repórter.

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