O futuro da ginástica rítmica (GR) brasileira está garantido. Pelo menos no que depender da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Além de manter 250 meninas treinando na escolinha sediada no campus Piza, outras 250 crianças estão dando os primeiros passos na modalidade em três pólos localizados em bairros considerados carentes de Londrina. Há cerca de três anos, professoras e alunas do curso de educação física descobrem talentos no contra-turno escolar desses bairros.
Os pólos de GR estão localizados na Escola Oficina Pestalozzi, no Jardim Franciscato, onde são atendidas 80 meninas, Escola Municipal José Garcia Villar, no Jardim Interlagos, que tem 120 alunas inscritas, e no salão paroquial do Jardim Monte Cristo, no qual 50 crianças participam da escolinha.
As aulas são ministradas por seis estudantes do curso de Educação física: Thalita Nakadomari, Thamara Batista, Thaísa Oliveira, Flávia Faria, Suhellen Silva e Michelle Salzano, todas ex-ginastas da Unopar e da seleção brasileira adulta.
A coordenadora do projeto ''Escola de Iniciação em Ginástica Rítmica da Unopar'', Márcia Aversani Lourenço, frisa que as atividades desenvolvidas nos pólos são uma extensão do trabalho iniciado há cerca de 30 anos pela atual reitora da instituição, Elisabeth Laffranchi responsável pelo desenvolvimento da modalidade em Londrina.
Márcia explica que um dos motivos para a extensão do trabalho realizado na escolinha do campus Piza foi a grande procura de pais interessados em ver suas filhas praticando um esporte que proporciona vários benefícios, como disciplina, postura e formação corporal. Como a capacidade de atendimento no Piza estava esgotada e a instituição já tinha planos de popularizar o esporte, a solução encontrada foi fazer parcerias com escolas e comunidades para implantação dos pólos.
A coordenadora acrescenta que somada à necessidade de ampliação e popularização da GR, a Unopar decidiu atender a uma solicitação da Promotoria de Infância e Juventude para que entidades de Londrina realizassem trabalhos com menores, numa tentativa de afastar jovens e crianças das drogas e da criminalidade.
Márcia recorda que no início da extensão do projeto muitas crianças não tinham conhecimento da ginástica rítmica. Para que houvesse uma aproximação das futuras atletas com o esporte, as equipes de competição de GR da Unopar fizeram apresentações nos locais de desenvolvimento dos três pólos periféricos.
Ela esclarece que o trabalho nos pólos de extensão não se resume a ensinar os exercícios e coreografias. A desigualdade social é um dos adversários a serem superados. As professoras, muitas vezes, são obrigadas a lidar com a indisciplina das alunas. ''No começo enfrentamos alguma resistência. Precisamos provar às meninas que participar da GR seria um benefício. Nossa preocupação maior é com a valorização e formação da cidadã'', ressaltou Márcia.

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