É em uma sala do Instituto Comunicar e Crescer, em Londrina, que Lincoln Nakagawa, de 20 anos, desfere seus golpes de taekwondo.
O jovem convive com sequelas neurológicas, consequentes de uma encefalite viral contraída aos 6 anos. Mas isso não impede que ele desenvolva a habilidade necessária para a prática da arte marcial. ''Eu gosto de fazer todos os movimentos e quebrar as madeiras. Tem que se concentrar só na madeira e fazer que nem uma faca. Uma vez quebrei quatro madeiras de uma vez só'', conta.
A autoestima notável de Nakagawa é apenas um dos benefícios que o taekwondo proporciona a ele e outros sete colegas praticantes do instituto. Disciplina, concentração e melhorias na parte física também fazem parte da lista, de acordo com pais e professores. ''Vem muito a colaborar com o nosso trabalho, pois impõe regras, elês tem um maior convívio com os colegas e acabam surgindo destrezas e habilidades que muitas vezes não se afloram'', afirma a terapeuta ocupacional do instituto, Thais Honório Garcia.
Sem fins lucrativos e mantida com a colaboração dos pais, a entidade atende 13 alunos com necessidades especiais. O objetivo é preparar melhor os jovens para o mercado de trabalho, através de diversas oficinas. O taekwondo sempre foi uma delas, mas era realizada esporadicamente. Só que há dois meses, o instituto passou a contar com a colaboração de Jair Queiroz, proprietário da academia Kroz.
Duas vezes por semana, Queiroz ensina os movimentos do taekwondo para os alunos, que segundo ele, o surpreenderam. ''O nível de relacionamento com eles é muito completo, são muito sinceros. Eu aprendo muito com eles. O que é surpreendente é o senso comum deles e a flexibilidade e leveza que apresentam na prática do taekwondo'', afirma.
Queiroz também percebe uma dedicação grande dos alunos para aprender os movimentos, além da colaboração entre si. ''É surpreendente, mesmo que alguns já tenham uma base. De repente em uma única aula eles assimilaram o que era necessário para uma apresentação que fizeram depois. Existe uma cooperação muito grande, um ajuda o outro no aprendizado dos movimentos'', ressalta.
Apresentações
As apresentações de taekwondo para a comunidade também se tornaram rotina para os praticantes de taekwondo, que adoram mostrar suas habilidades. ''Eu tenho um soco muito forte, quebro as madeiras bem rápido. E gosto de fazer o grito do taekwondo'', afirma Vinicius Carvalho, de 26 anos.
O jovem é portador da Síndrome de Down e gosta tanto de praticar a arte marcial que fica ansioso quando tem aula. ''Ele fica todo preocupado porque quer pegar o uniforme. E é incrível que com todo o peso, ele tem muita flexibilidade'', declara Márcia Carvalho.
A condição física de Lincoln Nakagawa também melhorou com a prática da arte marcial, de acordo com a mãe Edna Paixão. ''Pra ele foi muito bom a parte de alongamento, que precisa fazer muito no taekwondo. A postura dele que era bem curvada também melhorou bastante'', complementa Edna.
Segundo a presidente do Instituto Comunicar e Crescer, Elenice Mieko Hiraiwa, as aulas de taekwondo com o Mestre Queiroz levaram uma empolgação a mais para a entidade. Ela acrescenta que a arte marcial pode contribuir no aprendizado dos alunos e também na sua vida profissional. ''Eles já tinham uma noção do taekwondo e agora deu uma empolgação maior. É interessante, pois visa uma disciplina, trazendo uma preparação maior de como agir em várias situações''.

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