Craques revivem suas histórias em Curitiba
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na semana passada, uma pesquisa elaborada pelo jornal inglês The Guardian apontou o time do Brasil da Copa do Mundo de 1982 como o melhor daqueles que voltaram para casa de mãos vazias, mas deixaram suas marcas na memória. Seja na Europa ou em qualquer parte do mundo, os fãs de futebol volta e meia relembram com saudosismo daquele time que encantou o mundo. E que posteriormente, se tornou eterno.
Éder, o Canhão canarinho, e os atacantes Serginho Chulapa e Reinaldo, três ídolos que integraram aquela seleção comandada por Telê Santana participaram de um descontraído bate-papo em Curitiba, na última segunda-feira, no Bar Freguesia, para relembrar, em um evento fechado para 120 pessoas, momentos deles nos clubes e na seleção nas Copas de 78 e 82.
E os convidados voltaram para casa com a sensação de ter revivido as emoções de quando eram 30 anos mais novos. Não só eles. Os astros da noite se sentiram como se estivessem recém-saídos do gramado depois de fazer o gol do título. Nem eles imaginavam que ficariam tanto tempo no imaginário do torcedor.
E não é um reconhecimento só na Europa, aqui no Brasil mesmo onde é tão difícil valorizar outra coisa a não ser o primeiro lugar. Ou é primeiro ou você é o último. E por esse carinho até hoje, quando falo da seleção até me emociono... Eu só tenho que agradecer a Deus por tudo que o futebol proporcionou e por eu ter participado daquela seleção, disse emocionado Éder, 51 anos, ex-ponta-esquerda que vestiu 52 vezes a camisa da seleção e autor de um golaço na vitória de 2 a 1 do Brasil contra a então União Soviética, em 82, com um chute potente,indefensável.
Para o ex-atacante Serginho, maior artilheiro do São Paulo, o que encantava o torcedor era o jeito do time jogar. Nós jogávamos para vencer e não para não perder. Hoje os caras colocam um monte de cara para marcar e um só lá na frente, relembra o ex-jogador são-paulino e que hoje é auxiliar-técnico do time profissional do Santos.
Além de gols, Serginho ficou marcado pelas inúmeras vezes que arrumou confusão dentro de campo. Em uma dessas brigas, chutou um bandeirinha e ficou suspenso por seis meses, o que impediu que ele fosse para o Mundial de 78. Se eu soubesse que ia ficar tanto tempo fora, quebrava logo a perna dele, divertiu-se.
Em 78, na Copa da Argentina, Reinaldo, artilheiro do Brasileiro no ano anterior pelo Atlético Mineiro, era a grande esperança brasileira. Embora fora do eixo Rio-São Paulo, Rei, como era chamado, brilhou intensamente e na seleção fez 14 gols em 37 partidas. Só não teve ainda mais destaque devido a seguidas lesões, uma delas que o tirou na véspera, da Copa de 82.
Perguntado se qual atacante o colocaria no banco de reservas, Reinaldo pensou, pensou e demorou a responder. Eu no banco? É duro, disse. Talvez o Robinho, mas é outra característica, emendou.


