Na semana passada, uma pesquisa elaborada pelo jornal inglês The Guardian apontou o time do Brasil da Copa do Mundo de 1982 como o melhor daqueles que "voltaram para casa de mãos vazias, mas deixaram suas marcas na memória". Seja na Europa ou em qualquer parte do mundo, os fãs de futebol volta e meia relembram com saudosismo daquele time que encantou o mundo. E que, posteriormente, tornou-se eterno.
Éder, o Canhão, Serginho Chulapa e Reinaldo, três ídolos que integraram aquela geração participaram de um descontraído bate-papo em Curitiba, na noite da última segunda-feira, no Bar Freguesia, para relembrar, em um evento fechado para 120 pessoas, momentos deles em seus clubes e na Seleção nas Copas de 78 e 82.
Os astros, que há mais de dez anos penduraram as chuteiras, sentiram-se em Curitiba como se estivessem recém-saído do gramado depois de fazer o gol do título. Nem eles imaginavam que ficariam tanto tempo no imaginário do torcedor. "E não é um reconhecimento só na Europa. É aqui no Brasil mesmo, onde é tão difícil valorizar outra coisa a não ser o primeiro lugar. Ou é primeiro ou você é o último. É por esse carinho das pessoas até hoje que quando falo da Seleção até me emociono...", disse com a voz embargada Éder Aleixo, 51 anos, que vestiu 52 vezes a camisa da Seleção. Ele foi o autor, entre outros, de um gol épico na vitória de 2 a 1 do Brasil com a Rússia, na Copa de 82, com um potente chute. Este foi o primeiro jogo do time comandado por Telê Santana no Mundial da Espanha.
Para o ex-artilheiro Serginho, o que encantava o torcedor era o jeito do time jogar. "Nós jogávamos para vencer e não para não perder. Hoje os caras colocam um monte de cara para marcar e um só lá na frente", apontou.
Além de gols, Serginho ficou marcado pelas inúmeras vezes em que arrumou confusão dentro de campo. Em uma dessas brigas, chutou um assistente e ficou suspenso por seis meses, o que impediu que ele fosse para o Mundial de 78. "Se eu soubesse que ia ficar tanto tempo fora, quebrava logo a perna dele", divertiu-se.
Em 78, na Copa da Argentina, Reinaldo, artilheiro do Brasileiro no ano anterior pelo Atlético-MG, era a grande esperança brasileira. Rei, como era chamado, fez com a amarelinha 14 gols em 37 partidas. Só não teve ainda mais destaque devido a seguidas lesões, uma delas que o afastou da Seleção às vésperas da Copa de 82. "Mas estava na lista dos 40", ressaltou, lembrando que, antes, 40 jogadores eram relacionados e só depois a lista ficava com 22.
Perguntado sobre qual atacante o colocaria no banco hoje, Reinaldo pensou, pensou e demorou a responder. "Eu no banco? É duro", disse. "Talvez o Robinho, mas é outra característica", emendou. Em um momento de carência de atacantes e de futebol-arte, não é de se estranhar que o jeito moleque de Robinho jogar continue sendo a ponta de esperança do saudoso futebol brasileiro.

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