Craques estão em momentos opostos
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Luis Augusto Monaco <br> Agência Estado 
Toyota - Dois craques, dois amigos, dois momentos muito diferentes, mas o mesmo desejo: brilhar no Mundial. Neymar chega à competição voando, com prêmios debaixo do braço e como alvo dos olhos dos europeus, que querem ver se ele é mesmo tudo isso. Paulo Henrique Ganso teve um ano difícil, ponteado por lesões e polêmicas, e precisa de um grande desempenho no Japão para terminá-lo em alta.
A temporada de Neymar beira a perfeição. Foi eleito o melhor jogador do Sul-Americano Sub-20, do Paulistão, da Libertadores e do Brasileirão. Chamou a atenção do mundo ao ser o único jogador que não atua na Europa indicado à Bola de Ouro da Fifa. Concorre com Messi e Rooney ao troféu de gol mais bonito de 2011. Foi o pivô de uma batalha de proporções colossais entre os rivais Real Madrid e Barcelona por sua contratação e consolidou-se como o rei da publicidade no Brasil - tem nove contratos assinados.
Por onde ele anda atrai uma multidão. E no Japão, não tem sido diferente. Nos treinos, tem o nome gritado com frequência pelos japoneses (e também pelas japonesas, é claro...). No hotel, funcionários do Santos têm distribuído máscaras com seu rosto para os torcedores que ficam à espera da chance de um autógrafo ou uma foto.
Apesar de tanta badalação, Muricy Ramalho tem certeza de que o garoto não perderá a concentração. ''Apesar da pouca idade, o Neymar já tem experiência internacional. Ele foi feito para jogos e competições importantes, e não vai sentir a pressão'', disse o técnico do Santos.
Ganso dividiu com Neymar os holofotes até o fatídico jogo com o Grêmio, em agosto de 2010, quando sofreu a lesão nos ligamentos do joelho esquerdo. Até ali, havia enquetes perguntando qual dois era melhor, sendo que o meia foi colocado por Dunga na lista de espera para a Copa do Mundo na África do Sul - Neymar ficou fora.
Lesões musculares picotaram a sua temporada depois que voltou, em fevereiro, e ele jogou pouco mais da metade das partidas disputadas por seu amigo. Enquanto Neymar entrou em campo 64 vezes em compromissos do clube, da seleção principal e da seleção Sub-20 (marcou 39 gols), o meia fez 35 jogos e cinco gols.
Ganso esteve longe do brilho mostrado no ano passado e viu o mercado europeu passar a olhá-lo com desconfiança. E fora de campo ficou no meio da guerra entre Santos e DIS - ele sempre deixou claro confiar mais na empresa.
O último capítulo dessa polêmica foi a venda dos 10% de seus direitos econômicos que lhe pertenciam, anunciado no último sábado. Ele disse que vendeu para a DIS (por R$ 5 milhões) porque o Santos não quis comprar, enquanto o clube alega não ter sido informado de sua intenção.
Ainda assim, Ganso jura que esses problemas não vão afetá-lo no Japão. ''Estou preparado para fazer um grande Mundial'', avisou o meia. Se fizer mesmo, e Neymar jogar o que vinha jogando no Brasil, a chance de o Santos ser campeão aumenta muito.


