Craques do passado vêem equilíbrio
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de junho de 2000
Marcos Freitas De Curitiba 
Craques do passado da dupla Atletiba se encontraram nesta semana para lembrar das glórias conquistadas na carreira de cada um. O ex-atacante do alviverde Sebastião Ferri, ou simplesmente Tião Abatiá, e o ex-goleiro do Atlético, Ricardo Pinto, foram ídolos nos lados do Alto da Glória e da Baixada, respectivamente. Hoje, longe dos gramados, mas nunca longe da bola, eles continuam acompanhando o futebol.
Tião Abatiá mora em Ribeirão do Pinhal, no Norte do Paraná, e trabalha com loterias. Ricardo Pinto abriu uma escolinha de futebol há quatro meses em Curitiba. Na última semana, eles atenderam o pedido da reportagem da Folha e se conheceram pessoalmente na escolinha do ex-goleiro atleticano.
A empatia entre eles foi instantânea. Os boleiros se conhecem pelo olhar, disse o brincalhão Tião Abatiá. Para Ricardo Pinto, conhecer um eterno algoz do seu ex-time foi uma experiência muito agradável. Você fez história no Coritiba, lembro da fama da dupla caipira Paquito (hoje técnico do Coritiba) e Tião Abatiá , elogiou o ex-goleiro atleticano.
Ricardo Pinto defendeu o Atlético na déada de 90. O goleiro foi campeão brasileiro da segunda divisão em 1995 e levou ao Atlético novamente a figurar na elite do futebol nacional. Naquele time, a dupla Oséas e Paulo Rink fez grande sucesso, marcando muitos gols pelo rubro-negro.
Defesa forte, meio-de-campo marcador e ataque goleador. Assim Ricardo Pinto define o time atleticano. Mas a grande virtude daquele elenco era mesmo a humildade, contou ele.
Já Tião Abatiá chegou no Coritiba no final de 1971 e permaneceu até 1975. Durante a permanência no Alto da Glória ele conviveu com grandes craques como Leocádio, Kruguer, Zé Roberto, Hélio Pires entre outros.
Não consegui ser vice-campeão jogando no Coritiba daquela época, disse ele, relembrado a fase áurea que o alviverde passou na década de 70, quando conquistou oito títulos estaduais, sendo seis em sequência, marca jamais atingida por qualquer outro clube no Paraná.
Quando questionado sobre a principal característica dos times do Coritiba daquela época, Tião Abatiá responde sem pestanejar: Ganhar títulos. Os elencos que o Coritiba montava eram verdadeiras máquinas, relembrou. Tinha jogo que ficava eu e o Zé Roberto no banco, exemplificou para dar uma idéia do poderio daquele elenco.
Sobre a decisão deste ano, ambos acreditam que as duas partidas serão eletrizantes. O Atlético tem um elenco fortíssimo e o Coritiba vem crescendo na hora certa, por isso acredito que ninguém é favorito, opinou Ricardo Pinto, que nos últimos tempos vem se destacando também nas transmissões esportivas de rádio e TV a cabo como comentarista. É um outro filão que eu sempre quis trabalhar. Gosto da movimentação da imprensa e aprender coisas novas , disse.
Tião Abatiá concorda com Ricardo Pinto sobre o equilírio da decisão. A vantagem atleticana de jogar por dois empates e fazer a última partida em casa também não assusta o ex-craque coritibano. Todos os atletas gostam de disputar clássicos e no campo ninguém dá a mínima para as arquibancadas, disse.
Mas os dois craques discordam em um aspecto para as finais. Tião Abatiá acredita que nas duas partidas vão faltar gols. Já Ricardo Pinto espera dois jogos com muita rede balançando. As duas equipes têm ataques goleadores e não vai ser na final que a escrita vai mudar, acredita Ricardo Pinto. Vão ser dois jogos muito truncados, de forte marcação e com poucas chances para os artilheiros, aposta Tião Abatiá.


