Fernando Tupan
De Foz do Iguaçu
Martin Rivas, zagueiro titular da seleção uruguaia sub-23, tem nome de general argentino e sobrenome de craque brasileiro da década de 70: o meia-esquerda Riva ou Rivelino, tricampeão mundial ao lado de Pelé, Tostão, Gérson, Jairzinho e outros. Apesar das contradições que leva no nome, traços de ambas personalidades ficam claras quando está em campo. Comanda o selecionado como general e sabe trabalhar a bola com o mesmo carinho do brasileiro.
Em 98 o zagueiro chegou à Itália, contratado pelo Internacional de Milão. Seis meses depois foi emprestado ao Peruggia, onde ficou um ano. Em setembro passado voltou ao Inter, para disputar a posição com um dos seus ídolos: Blanc, zagueiro campeão do mundo pela França, em 98. Apesar do seu afinco e determinação nos treinamentos, ainda continua na reserva do francês.
– Sou bastante jovem ainda e pacientemente vou esperar minha chance como profissional – disse ele à Folha.
A experiência adquirida no exterior ajuda o atleta de 22 anos, campeão pelo Inter na Copa Uefa de 98, a passar tranquilidade para os companheiros uruguaios que disputarão o Pré-Olímpico.
– Minha experiência ajuda nos momentos de sufoco. Durante as partidas eu converso, oriento a marcação e o posicionamento dos meus colegas.
A meta de Rivas neste Pré-Olímpico é a vaga para disputar as Olimpíadas de Sydney.
– Nós sabemos que será uma competição difícil, em que todas as seleções tiveram pouco tempo de preparação. Me apresentei à seleção três dias antes do Natal. A chance de disputar uma Olimpíada alimenta meu sonho de conquistar esta competição.
O futebol moderno do zagueiro o credenciou para receber a faixa de capitão. O técnico Victor Púa, que no ano passado levou o Uruguai a conquistar ao vice-campeonato da Copa América, vê muitas virtudes em Rivas.
– Ele é um risco para os adversários. Sabe descer ao ataque com a desenvoltura de um centroavante e joga com a elegância de um Francescoli (craque da seleção do Uruguai, que recentemente pendurou as chuteiras).
Sob raios Os uruguaios trabalharam pesado ontem. Na parte da manhã, os jogadores foram fazer musculação numa academia de Foz Iguaçu. O técnico Victor Púa não está preocupado com a alta carga de exercícios e nem possíveis contusões. ‘‘Nosso futebol é de muito movimento e velocidade. Alguns jogadores precisam evoluir para estarem 100% na estréia’’.
O amistoso com os juvenis do Foz, no Estádio Pedro Basso, do Flamengo foi cancelado devido as chuvas. Mesmo com o perigo de ter os jogadores atingidos por raios, Púa colocou-os no campo do Hotel Iguaçu Golf Club para um leve treino tático. ‘‘Vamos ter uma maratona de jogos e começamos nossa preparação tarde. Não podemos nos dar ao luxo de perder um dia de treino’’.
Hoje o Uruguai volta a campo para enfrentar os profissionais do Foz, às 17 horas, com ingressos a R$ 3,00 (mulheres e crianças) e R$ 5,00 (arquibancadas) no Pedro Basso. Púa irá testar duas formações diferentes. No primeiro tempo entra com os prováveis titulares e no segundo, com os possíveis reservas. ‘‘Nossos jogadores precisam se adaptar ao calor. Nessa época do ano em Montevidéu temos temperaturas médias de 29 graus e aqui anda chegando aos 39 graus’’, justifica o treinador uruguaio.

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