CPI vai modernizar o futebol brasileiro
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domingo, 01 de abril de 2001
Luciano Augusto De Londrina 
Os deputados federais Alex Canziani (PSDB-PR) e Silvio Torres (PSDB-SP) acreditam que a principal contribuição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da qual fazem parte e que investiga denúncias de irregularidades no futebol brasileiro será a de conseguir modernizar as relações entre clubes, atletas e empresários.
Torres, que é relator da CPI da CBF/Nike, disse anteontem, em visita à Exposição de Londrina, que ao final dos trabalhos da comissão, os parlamentares deverão propor um conjunto de medidas para conter a crise do esporte, que sofre com contratos irregulares, elisão fiscal, dívidas de clubes e calendários de campeonatos que prejudicam o desempenho dos atletas. Para ele, as investigações se justificam porque o esporte mais popular do País vem sendo marcado por escândalos como envio de menores de idade para clubes do exterior e dívidas milionárias das federações.
O parlamentar paulista adiantou ainda que nesta semana deverão ser ouvidos o sócio da Pelé Sports, Hélio Viana, diretores da Nike e o ex-técnico da seleção brasileira, Wanderley Luxemburgo, que tem depoimento marcado para a próxima quinta-feira. Em 10 de abril, a CPI deverá ouvir o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Em 70 dias de atividades, já foram ouvidas 70 pessoas, sendo que metade estão sendo investigadas, inclusive com sigilo fiscal quebrado.
O deputado federal paranaense, Alex Canziani, que integra a CPI da CBF/Nike, comentou que mais importante que a CPI levantar os problemas que estão atrapalhando o futebol, será a modernização do futebol.
Canziani também criticou o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Rolim de Moura, por sua completa falta de organização na gerência da entidade. Ele está há 16 anos à frente da Federação, que se encontra nessa situação ruim, disse.
Para ilustrar, ele comparou a entidade paranaense com a Federação Paulista. A Federação de São Paulo tem R$ 23 milhões aplicados, enquanto aqui, acumulam-se dívidas e uma grande quantidade de processos judiciais, comparou o deputado. A CPI já revelou indícios de sonegação fiscal na Federação Paranaense de Futebol. Em 1995, US$ 328 mil foram movimentados nas contas da entidade, com lastro em ouro e registro no Banco Central, mas não aparecem na declaração de renda da federação. O número de processos judiciais enfrentados pela entidade e por Moura passam dos 130.


