A CPI da CBF/Nike vai pedir o indiciamento de 25 pessoas, entre dirigentes de federações, médicos, empresários e funcionários de embaixadas, com base no relatório do deputado Eduardo Campos (PSB-PE), sub-relator da área de transferência irregulares de menores no futebol.
Segundo o documento que a Agência Estado teve acesso com exclusividade, Eduardo Campos relacionou, entre outros, Carlos Alberto Ferreira, presidente da Federação Maranhense de Futebol; o funcionário da embaixada do Brasil na Bélgica, Otávio Monteiro Barros; empresários como Jimmy Martins; o ex-jogador Careca; e o médico Antônio Cassas de Lima, todos eles envolvidos em ‘‘esquemas fraudulentos, ilegais e criminosos’’ de transferência de jogadores adolescentes, muitos deles ‘‘gatos’’, para países da Europa, como a Suíça, Holanda e Bélgica.
O esquema revelado por Eduardo Campos tem, no Maranhão e no Tocantins, um celeiro de adolescentes, ‘‘geralmente com menos de 15 anos de idade,’’ que são intermediados por empresários brasileiros, atuando em ‘‘parceria’’ com empresários do exterior. Esses atletas, muitos deles com idade alterada, os chamados ‘‘gatos’’, são mantidos em apartamentos custeados pelos intermediadores do negócio, ‘‘enquanto treinam em equipes inexpressivas’’, sem remuneração, ‘‘recebendo apenas alimentação’’, denunciou Campos.
‘‘Há alguns que conseguem sair do Brasil com uma proposta de contrato’’, disse o parlamentar. O problema, adiantou o relator, ‘‘é que esse contrato às vezes é escrito em francês, inglês ou até no flamengo’’, sem que o adolescente tome conhecimento de qualquer uma das cláusulas.
Eduardo Campos está propondo que a CPI encampe a proposta que estabelece que apenas os pais ou responsáveis legais ‘‘possam representar atletas menores de 21 anos’’ na hora da assinatura de contrato.

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