CPI vai convidar Blatter para depor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de outubro de 2000
Agência Estado De Brasília 
A Comissão Parlamentar de Inquérito do Futebol no Senado aprovou ontem, um requerimento convidando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, a prestar depoimento. A proposta, feita pelo senador Maguito Vilela (PMDB-GO), é para que Blatter explique seus temores quanto às investigações da CPI. Hoje, a CPI do Nike, na Câmara, vai votar a quebra de sigilo bancário e fiscal do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e do dono da empresa Traffic, José Hawilla.
Ontem, além do depoimento do chefe do Departamento de Combate a Ilícitos Financeiros (Decif) do Banco Central, Ricardo Liao, a CPI do Senado teve de se debruçar sobre mais um problema, que poderá dar dor de cabeça ao deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), integrante da comissão na Câmara. Os senadores pediram providências ao presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), contra Miranda, que teria feito ofensas ao Senado num programa de televisão.
O Banco Central fará rastreamento na venda de 1.800 jogadores vendidos a clubes estrangeiros nos últimos dois anos, segundo disse Ricardo Liao ontem à CPI. O BC quer saber se houve sonegação de cobertura cambial nestas transferências, ou seja, o jogador foi vendido e o clube não recebeu o pagamento ou o dinheiro foi repassado fora de estabelecimentos bancários autorizados pelo banco.
Liao informou que o BC já abriu processos contra 22 clubes para apurar evasão cambial envolvendo a soma de US$ 42,5 milhões, referentes a transferências ocorridas antes da vigência da Lei Pelé, em 1998. Entre as irregularidades, estão situações de operações ilegítimas como a venda do jogador por empresa nacional para o exterior sem o pagamento em moeda estrangeira.
Identificou-se, também, a compensação privada de crédito, ou seja, o clube compra um jogador italiano e transfere um atleta brasileiro como forma de pagamento. Houve casos em que o clube contou ter recebido em reais o valor da transferência do jogador.
Nike Na CPI da Nike, na Câmara dos Deputados, uma sessão que duraria apenas cinco minutos, para resolver assuntos internos, prolongou-se por cinco horas e foi decidido que a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Ricardo Teixeira seria pedida hoje, independente de a CPI requerer também a quebra do sigilo da CBF e da Traffic. O deputado Silvio Torres (PSDB-SP) afirma que J. Hawilla, também intermediou as negociações para a concretização do contrato entre a Nike e a CBF.


