CPI suspeita de sonegação no Paraná
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quarta-feira, 21 de março de 2001
Agência Folha De Brasília 
Informações divulgadas ontem pela CPI da CBF/Nike, aberta na Câmara, revelam indícios de sonegação fiscal na Federação Paranaense de Futebol (FPF). Durante o depoimento do presidente da entidade, Onaireves Moura, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) revelou a existência de operações feitas pela federação no mercado financeiro, entre 1995 e 2000, em valores equivalentes a US$ 328 mil.
Segundo o deputado, essas operações foram feitas com lastro em ouro e registradas no Banco Central, mas não aparecem nas declarações de renda da federação. Ele afirmou ainda que bens da federação também não aparecem em declarações de renda da entidade.
Moura disse desconhecer a existência das operações com lastro em ouro e estranhou o fato de bens imóveis da federação não aparecerem nas declarações de renda, já que estão no nome da entidade desde a década de 60.
Outro fato que a CPI estranhou foi a existência de uma espécie de entidade paralela à federação. Trata-se, segundo Moura, de uma comissão que tem personalidade jurídica própria e seria encarregada de administrar os bens da entidade. As atividades ligadas ao futebol seriam de responsabilidade da própria federação.
Apesar de Moura afirmar que a federação e a comissão são independentes, a CPI encontrou indícios de operações financeiras nas quais os recursos das duas se confundem.
Precisamos investigar para ver se a comissão não é um caixa-dois, afirmou Rosinha. Não é um caixa-dois, disse Moura, garantindo que as atividades da comissão são todas registradas.
Moura foi deputado federal e teve seu mandato cassado sob acusação de comprar filiações de políticos. Ele esteve 30 dias detido por determinação judicial ocorrida em um processo sobre dívidas.
O ex-deputado tem bom relacionamento com a cúpula da CBF. Em 1999, chegou a ser chefe da delegação brasileira que disputou e venceu a Copa América, no Paraguai. Na ocasião, teve problemas com a Nike, já que montou um estande para vender camisas piratas da seleção.
Segundo Rosinha, a federação e Moura respondem juntos a mais de 130 processos na Justiça. O dirigente da federação atribuiu esse número a dificuldades que ele e a entidade enfrentaram e disse que a maior parte dos processos se refere a dívidas.
Estar hoje aqui, vivo, já é um ato de muita grandeza, disse Moura. Ao contrário de outros dirigentes, ele não tentou barrar na Justiça a quebra de seus sigilos fiscal e bancário pela CPI e ontem se dispôs a autorizar também a averiguação das contas da comissão.
Hoje, a comissão vai ouvir pela manhã o depoimento do lateral Roberto Carlos, do Real Madrid, sobre o que ele presenciou com relação à saúde do atacante Ronaldinho, no dia do último jogo da seleção brasileira da copa da França.
Na CPI do Futebol, o presidente e o relator, Álvaro Dias (PSDB-PR) e Geraldo Althoff (PFL-SC), pediram apoio do ministro da Justiça, José Gregori, para apressar as informações solicitadas a autoridades dos Estados Unidos sobre a movimentação financeira e o patrimônio do Vasco e de seu presidente, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), do treinador Wanderley Luxemburgo, e dos clubes Flamengo, Internacional e Grêmio.


