CPI quer investigar crise de Ronaldo em 98
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quarta-feira, 18 de outubro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O jogador Ronaldo poderá ser convocado pela CPI da Câmara que investiga o contrato de patrocínio da CBF com a Nike. O relator da Comissão, Silvio Torres (PSDB-SP), revelou que pretende esclarecer o episódio ocorrido na final da Copa do Mundo de 98, quando o atacante teve convulsões antes do jogo com a França, mas foi escalado para disputar a partida na qual a seleção brasileira perdeu por 3 a 0. A suspeita é de que tenha havido interferência da patrocinadora para confirmar a presença de Ronaldo em campo.
A Copa de 98 está engasgada na garganta de todos nós brasileiros, afirmou o deputado Silvio Torres. Se houve interferência contratual na escalação do Ronaldo, é um fato grave que precisa ser investigado porque causou prejuízos para o País, inclusive financeiros, justifica o relator.
Além de Ronaldinho, Silvio Torres deve propor a convocação do lateral Roberto Carlos, companheiro de quarto que presenciou a crise do atacante, do técnico Zagallo, que manteve a escalação, e do médico Lídio Toledo, que atendeu o jogador e o liberou para disputar a partida final da Copa.
O fraco desempenho da seleção dentro de campo é, para a imagem da Nike, muito mais prejudicial do que a própria CPI, segundo grande parte dos consultores esportivos e analistas de mercado de capitais no Brasil.
Para o consultor-esportivo Antônio Afif, por exemplo, o contrato entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Nike está baseado, principalmente, na atuação da empresa na área de marketing esportivo da confederação. Afif ressaltou que o lucro maior da Nike nesta área vem das negociações dos direitos de transmissão pela televisão dos jogos da seleção. A venda de produtos é uma parcela menor da receita neste caso.
Pelo contrato, a CBF receberá da Nike US$ 160 milhões por 10 anos. Além disso, a empresa americana investirá mais US$ 150 milhões em publicidade com a seleção e US$ 1 milhão em veículos para transporte das delegações. Também destinará US$ 500 mil por ano em material esportivo.


