Com base nas informações de que já dispõe, provenientes da quebra do sigilo bancário do deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), o presidente da CPI do Futebol, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), vai pedir hoje que a Advocacia Geral da União (AGU) solicite a quebra de sigilos bancário e fiscal no exterior de empresas de propriedade do presidente do Vasco.
Dias vai tomar a medida com base numareportagem da Rede Globo, onde o deputado aparece como sendo possuidor de uma mansão na Flórida no valor de US$ 400 mil; carros de luxo e participação societária na empresa Lolo Investiments, que tem sede em Palm Beach e Ilhas Virgens. ‘‘Isso revela que o deputado cometeu uma coleção de ilícitos’’, acredita o presidente da CPI.
Álvaro Dias quer ainda que o deputado explique ‘‘por que o dinheiro da compra desse patrimônio veio de um paraíso fiscal’’. ‘‘Em decorrência dessa evasão de divisas, acredito que agora não falta mais nada para que seja instaurado um processo disciplinar contra o deputado’’, lembrou Álvaro Dias.
Para o relator da CPI do Futebol, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), a reportagem ‘‘embora não revelando se o deputado Eurico Miranda sonegou essas informações na declaração de bens’’ reforça, na comissão do Senado, a certeza de que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar ‘‘o quanto antes’’, as justificativas que foram pedidas pelo presidente do STF, ministro Carlos Velloso, que concedeu liminar em favor de Eurico Miranda e do Vasco da Gama, suspendendo as quebras de sigilos bancário e fiscal.
Durante depoimento na CPI da CBF/Nike, dia 31 de janeiro, Miranda não respondeu se mantém seu patrimônio todo no País ou se tem algum bem no exterior e se todas suas propriedades constam da declaração de Imposto de Renda.
O relator da CPI, deputado Silvio Torres (PSDB-SP), vai convocar uma reunião informal com os membros da CPI, para esta segunda-feira, quando será ‘‘avaliada a situação do deputado Eurico Miranda’’. Ele não descartou a hipótese de submeter à votação, na quarta-feira, de requerimentos que pedem também a quebra do sigilo bancário de Eurico Miranda e a convocação do deputado, para depor, sob juramento, sobre favorecimento do Vasco da Gama, na Copa Libertadores da América e da troca de um cheque de US$ 110 mil no câmbio paralelo.

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