CPI investiga Federações
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sábado, 11 de novembro de 2000
Fernando Tupan De Curitiba 
O Banco Central tem 22 processos investigando clubes do futebol brasileiro que negociaram atletas com clubes do exterior. A maioria dos envolvidos são os grandes do futebol brasileiro, principalmente do eixo Rio-São Paulo. O futebol paranaense está no rol das equipes visadas pela entidade, que tem a função de controlar a entrada e saída de divisas.
A CPI da Câmara quebrou o sigilo bancário das Federações Estaduais. O presidente Onaireves Rolim Moura, da Paranaense, foi procurado pela Folha durante dois dias e não respondeu os telefonemas. A secretária do dirigente disse que ele está sem telefone celular porque o perdeu durante um passeio de iate há duas semanas.
O senador Alvaro Dias, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, promete uma busca detalhada da compra e venda de jogadores envolvendo clubes e empresários. Todo clube brasileiro que negociou com o exterior, ou quase todos, estão irregulares em relação ao erário. Os valores das transações não são compatíveis com o valor da transação. Há uma grande diferença, ainda não explicada de 42,5 milhões de dólares.
As diligências para achar irregularidades devem bater em empresas patrocinadoras e entidades estaduais, claro, no caso do Banco Central indicar cumplicidade em qualquer tipo de operação anormal. Nós não estamos escolhendo vítimas. Só trabalhamos a partir do fato determinado para não ter questionamento de origem jurídica.
A CPI do Senado já sabe que na venda do atacante Bebeto, do Vasco da Gama para o La Coruna, houve irregularidades. Não sei os valores. Estamos solicitando os contratos de compra e venda registrados na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após promulgação da Lei Pelé em 97 (antes da lei as informações eram enviadas pelos clube).
O empresário Juan Figger é um dos mais conhecidos do futebol brasileiro. Ele também é um dos nomes mais visados da CPI por realizar transações duvidosas. O exemplo é o caso envolvendo o meia Zé Roberto. No início do dia, ele foi vendido pela Portuguesa por US$ 4,6 milhões para o Central Espanhol, do Uruguai. No final da tarde, o Real Madrid anunciou ter pago US$ 9,980 milhões pelo passe do atleta.
Outra negociação nebulosa do futebol brasileiro envolve o atacante Edmundo e o Vasco da Gama, do deputado e atual candidato à presidência do clube, Eurico Miranda. Ele foi vendido para a Fiorentina, da Itália, por US$ 8 milhões e comprado no ano seguinte pelo clube carioca por US$ 14 milhões. Agora as informações do Banco Central serão cruzadas com as da CBF.


