CPI exige cópia de contrato com a Nike
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quinta-feira, 23 de novembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O presidente da CPI da Nike, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), deu ontem um prazo de 72 horas para o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, encaminhar à comissão as alterações no contrato de patrocínio feito com a multinacional Nike. Rebelo ameaçou enquadrar Teixeira no crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal, se ele não atender ao requerimento. O presidente da CBF está sujeito a pena de 15 dias a seis meses de detenção, mais multa, se não atender à CPI. Esse artigo do código trata de crimes praticados por particular contra administração em geral.
Ao atender ao requerimento inicial da CPI, Ricardo Teixeira omitiu as mudanças que foi obrigado a fazer no contrato diante da constatação de que a Seleção Brasileira não teria condições de fazer 50 jogos amistosos em 10 anos para atender à empresa. O número de jogos foi reduzido para 2 por ano, mas os deputados só souberam desse acordo por intermédio da imprensa. Aldo Rebelo leu o ofício que encaminhou à CBF numa das mais tumultuadas sessões da CPI da Nike. A confusão começou quando os deputados começaram a discutir sobre os próximos depoimentos da comissão.
Rebelo e o relator Silvio Torres (PSDB-SP) não conseguiram convencer a seus colegas sobre a incoveniência em chamar para depor os presidentes das federações de futebol antes de ter em mãos os dados proporcionados pela quebra do sigilo bancário e fiscal de cada um deles.
O deputado Eurico Miranda (PPB-RJ) encabeçou o movimento dos descontentes. Tive de engolir muitas coisas nos convocados até agora, alegou o deputado. Ele insistiu sobretudo na convocação do presidente da Federação de Futebol do Paraná, o deputado cassado Onaireves Moura (PSD-PR).
O relator propôs ouvir este ano pessoas, entre outros, o ex-supervisor da seleção brasileira, Américo Farias, o presidente do Clube dos 13, Fábio Koffes, Wanderley Luxemburgo, Pelé e representantes da Nike. Mas Aldo Rebelo, diante do tumulto, preferiu cancelar a sessão e adiando para hoje a votação da pauta de depoimentos.
Logo após a votação, os deputados vão ouvir hoje de manhã o depoimento do atacante Edmundo. Desde o final da Copa da França, ele tem insinuado que sabe mais do que foi divulgado sobre a entrada de Ronaldo em campo, mesmo após ter sofrido uma convulsão.
Na CPI do Futebol, os senadores vão ouvir a presidente do Conselho de Controle de Atividades Finaceiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda encarregada de investigar lavagem de dinheiro e outros tipo de irregularidades. Os senadores também vão providenciar hoje os requerimentos para que a Polícia Federal estenda suas investigações sobre a chamada embaixada, como era chamado o casarão, localizado na Barra da Tijuca, onde técnicos, cartolas e doleiros se reuniriam para efetuar transações irregulares na compra e venda de jogadores. A denúncia de que isso ocorreria foi feita pela CPI pela ex-secretária de Wanderley Luxemburgo, Renata Alves.


