Em menos de um mês de funcionamento, duas CPIs instaladas no Congresso Nacional começam a dar prova de que, além de incomodar empresários, grandes astros do meio desportivo e cartolas, podem transformar-se em paixões nacional, como o objetivo de suas investigações: o futebol. Na Câmara se investiga o contrato da Nike com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), enquanto que a do Senado é mais abrangente e quer levantar mais sobre este esporte. Porém, uma coisa já é certa: depois das duas CPIs, o futebol brasileiro não será mais o mesmo.
Talvez por ser formada por políticos mais experientes – ex-governadores ou inquisitores tarimbados – e com uma assessoria altamente especializada em investigação, a CPI do Futebol no Senado esteja mais avançada. Até agora, aprovou 51 requerimentos que atingem desde o ‘‘feudo’’ onde se abrigam os empresários de jogadores até pequenas agremiações que, a exemplo do que faz boa parte dos chamados grandes clubes, não recolhem a contribuição previdenciária de seus jogadores.
Além disso, os senadores já receberam o resultado de três sigilos bancários dos 40 pedidos nos três únicas sessões realizadas até agora: a do treinador Wanderley Luxemburgo, da CBF e da empresa Traffic, que intermediou o contrato entre a CBF e a Nike. Mas, a grande esperança é encontrar fatos novos na quebra de sigilo de 26 empresários de jogadores, além das empresas Luxemburgo Veículos e Rhumell, patrocinadora de material esportivo de grandes clubes de futebol e as ainda desconhecidas ‘‘cláusulas secretas’’ do contrato da Nike e CBF.

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