As denúncias e escândalos envolvendo jogadores, técnicos, presidentes de clubes e federações vão ser investigados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dentro de poucas semanas. As assinaturas já foram coletadas no Senado, restando apenas a indicação dos nomes pelas lideranças partidárias no Congresso.
A informação foi passada ontem em Foz do Iguaçu pelo senador Álvaro Dias (PSDB), idealizador da CPI do Futebol. Ele disse que a tramitação está sendo rápida e que o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL), já adiantou que vai aprovar a comissão. ‘‘A sociedade quer saber o que está dentro desta caixa preta. São milhões de dólares envolvidos em sonegação de impostos, contratos obscuros com patrocinadores e até bingos’’, afirmou Álvaro, destacando ainda vendas supostamente irregulares de jogadores ao exterior – ‘‘algo em torno de US$ 40 milhões’’ – investigadas diretamente pelo Banco Central.
O senador disse que a proposta da CPI ganhou força depois que fatos concretos (exigidos pela Constituição Federal) foram apresentados aos colegas do Congresso. Ele citou a suposta influência da Nike (empresa patrocinadora da Seleção Brasileira) sobre as comissões técnicas que passaram pela equipe, a realização de bingos e sorteios sem a devida prestação de contas à União, além de sonegações do Imposto de Renda. ‘‘O próprio presidente da CBF (Ricardo Teixeira) admitiu em uma entrevista que a prática é comum no esporte. Isso é um absurdo.’’
A prisão do presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, também foi apontada como um dos exemplos que podem ‘‘abrir novas portas’’ para as investigações. ‘‘Vale lembrar que ele foi preso e condenado a quatro anos de prisão por sonegar contribuições à Previdência Social. Mesmo assim, conseguiu liberdade e voltou à presidência da entidade’’, lembrou Álvaro.
Outros motivos apresentados no Senado para forçar a abertura da CPI foram as denúncias, tanto anônimas quanto da ex-secretária do técnico Wanderley Luxemburgo, ligadas às ‘‘convocações relâmpagos’’ para a Seleção Brasileira. ‘‘Recebemos até mesmo dossiês citando jogadores que foram convocados apenas uma vez, com o objetivo de valorizar o passe do atleta. Isso também precisa ser investigado.’’
Sobre a atuação do treinador e da própria equipe brasileira nas Olimpíadas, Álvaro Dias disse que Luxemburgo não deveria ter continuado na comissão técnica depois que as denúncias contra ele chegaram ao conhecimento público. ‘‘Isso e o fato de não querer convocar os mais experientes atrapalharam o desempenho da seleção. A cobrança está vindo agora da população.’’

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