CPI do Futebol prepara carga contra Luxemburgo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de janeiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
O presidente da CPI do Futebol no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), disse ontem que a comissão deverá encaminhar ao Ministério Público pedido para que Wanderley Luxemburgo, ex-técnico da Seleção Brasileira, seja denunciado à Justiça por sonegação fiscal, evasão de divisas e crime de perjúrio.
Na avaliação do senador, o relatório final deverá propor ao Ministério Público a abertura de inquérito contra o treinador, já que são fortes os indícios de práticas criminais contra a ordem tributária e financeira. O documento será entregue após o fim dos trabalhos, que só deve ocorrer em dezembro.
O senador acredita que a situação de Luxemburgo é ainda mais delicada com a constatação de que cometeu crime de perjúrio ao mentir, em depoimento à CPI, a respeito de transação financeira com o Sun Trust Bank para a compra de imóvel na Flórida, Estados Unidos.
A CPI recebeu a cópia de uma procuração, registrada em cartório do Rio, na qual Luxemburgo autoriza seu amigo Sergio Luiz Malucelli a fazer o negócio. O documento é de 22 de agosto de 2000, véspera do embarque do então técnico da Seleção para a Austrália, onde comandou a equipe de futebol na Olimpíada de Sidney.
Em seu depoimento, no dia 30 de novembro do ano passado, Luxemburgo afirmou que não sabia da existência do Sun Trust Bank e garantira não ter feito qualquer negócio por meio de Sergio Malucelli. De acordo com o senador, o ex-técnico deverá ser ouvido, talvez em abril ou maio, para que seja novamente questionado sobre a transação com o banco nos Estados Unidos.
De acordo com Dias, os indícios indicam que o Luxemburgo sonegou impostos, porque há dados, obtidos com base na quebra de sigilo bancário e fiscal, que revelam que movimentou durante quatro anos de 1996 a 99 R$ 18,8 milhões e só declarou cerca de R$ 8 milhões.


