Por 12 votos a zero, foi aprovado ontem o relatório final da CPI do Futebol - que pede o indiciamento de 17 pessoas, a maioria, dirigentes de clubes ou federações, e do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. De autoria do senador Geraldo Althoff (PFL-SC) o relatório acusa alguns dos principais comandantes do futebol brasileiro de terem se enriquecido à custa de desvios de recursos de clubes e federações. O relatório será encaminhado agora ao Ministério Público e o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, já antecipou que o processo terá prosseguimento. Segundo ele, eventuais culpados serão punidos.
Favorável ao relatório, o senador Antero Paes e Barros (PSDB-MS) pediu a renúncia de Teixeira e admitiu que a CPI pode não ter levantado todos os problemas do futebol brasileiro. ''O futebol não é só este chiqueirinho que a CPI mostrou. Pode haver muito mais podridão'', disse ele.
A surpresa da votação foi a posição do senador Gilvan Borges (PMDB-AP). Ele pretendia apresentar um relatório alternativo, mas, isolado, acabou desistindo. Borges votou a favor ''com restrições'' e foi o único a criticar a forma como a CPI foi conduzida.
Borges comparou a comissão parlamentar à inquisição. De acordo com ele, os julgamentos foram feitos com base em ''indícios estapafúrdios''. Gilvan Borges disse ainda que o julgamento feito na comissão é pior que o do Ministério Público ''já que na Justiça, o amplo direito de defesa certamente será respeitado''.
O senador Sebastião Rocha (PDT-AP) discordou de Borges. Disse que votaria a favor em razão da ''enorme quantidade de ilícitos relacionados''. Segundo ele, o relatório foi ''sólido, firme e convincente''.
Para o senador Geraldo Cândido (PT-RJ) o relatório de Althoff traz provas concretas de desvio de dinheiro, sonegação fiscal, falsidade ideológica, fraude e outros crimes. ''Não existe coitadinho aqui'', disse ele, referindo-se aos citados no relatório. ''O Edmundo (Santos Silva, presidente do Flamengo) chorou na CPI, mas chorou lágrimas de crocodilo'', disse.
Além de Ricardo Teixeira, o documento pede ao Ministério Público o indiciamento dos presidentes de federações Eduardo José Farah (São Paulo), Eduardo Viana (Rio) e Elmer Guilherme Ferreira (Minas). A lista inclui ainda: o deputado e presidente do Vasco, Eurico Miranda (PPB-RJ); o ex-presidente do Santos Samir Abdul-Hak; o técnico do Corinthians, Vanderlei Luxemburgo; o presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva; o ex-presidente do Flamengo, Dunshee de Abranches, os ex-dirigentes vascaínos Antônio Soares Calçada, Paulo Reis e Mário Cupello.

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