O oficial de chancelaria da embaixada brasileira na Bélgica, Otávio Monteiro Barros, foi convocado hoje (8) a depor na CPI da CBF/Nike sobre o tráfico de atletas brasileiros na Europa. Os deputados resolveram ouvi-lo, em data a ser marcada, após o depoimento do ex-jogador e treinador Sérgio Ferreira da Silva. De acordo com o presidente da comissão, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), as declarações de Ferreira da Silva confirmaram as suspeitas de que Monteiro Barros agenciava jogadores, inclusive menores de idade. ‘‘Ele agenciava jogadores e era remunerado por isso’’, afirmou o parlamentar. O treinador confirmou que Monteiro Barros seria o dono do passe do jogador Jefferson, que atua nas categorias de base do Paris Saint-Germain, na França.
A CPI pediu providências ao Itamaraty em dezembro, quando os deputados se encontraram com o secretário-geral, Luiz Felipe de Seixas Corrêa. Na quarta-feira, o assessor de relações com o Congresso, embaixador Souza Gomes, entregou a Aldo Rebelo o relatório preliminar sobre as atividades de Monteiro Barros. O presidente da CPI informou que o Itamaraty vai aguardar a conclusão das investigações da comissão para decidir o que fazer com o funcionário.
O depoente Sérgio Ferreira da Silva contou aos deputados que no ano passado, foi convidado por um empresário de nome Nino, que se dizia angolano, a embarcar para Europa com dois garotos treinados por ele.
Nino teria prometido arranjar um contrato para Gustavo, de 17 anos, e Wilton, de 18 anos, num time da Alemanha. Sérgio Ferreira da Silva contou que o convite foi aceito, mas que os três foram detidos no aeroporto em Bruxelas, onde iriam fazer a conexão para Berlim. Eles recorreram à embaixada, que alegou nada poder fazer, até que no 12º dia de espera, apareceu Otávio Monteiro Barros prometendo ajudá-los desde que pudesse negociar o passe de Gustavo e de Wilton e de mais dois garotos, Igor e Rodolfo, que também estavam detidos, depois de saírem do Brasil a convite do empresário Ted Júnior.

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