Brasília, 02 (AE) - As relações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com a empresa multinacional Nike, que patrocina a entidade, devem começar ser investigadas pela Câmara dos Deputados na abertura dos trabalhos legislativos deste ano, a partir do dia 15, por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Hoje, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), garantiu a um grupo de deputados que não colocará obstáculos para impedir a instalação da CPI.
O contrato teria teria várias cláusulas secretas, segundo o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). Ele e o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) articulam, em caso de a Câmara não instalar a CPI, a criação de uma comissão mista, que independe da aprovação da mesa do Congresso Nacional para entrar em funcionamento.
A criação da CPI foi proposta por Rebelo, que hoje se reuniu com Temer e com vários deputados para propor a instalação imediata da comissão. No encontro, segundo Rebelo, Temer teria afirmado que a CPI teria seu apoio integral. O pedido de Rebelo tem 225 assinaturas favoráveis, quando o regimento da Câmara exige um mínino de 171.
Segundo Rebelo, o contrato da Nike com a CBF, o que garante à confederação US$ 170 milhões em 10 anos a título de patrocínio, está dividido em duas modalidades: cláusulas secretas e normais. "Como não se trata de acordo nuclear ou coisa do gênero, vamos querer saber o motivo de o acordo possuir alguns itens secretos", disse Aldo Rebelo. O deputado acha "muito estranho" a CBF firmar um tipo de acordo desse.
Entre as cláusulas não-secretas do contrato, o deputado afirma que a Nike impôs algumas " condições absurdas" à CBF, ao ponto de limitar os poderes da entidade. No item referente ao valor do patrocínio, Rebelo estranha o fato de a Seleção Brasileira, mesmo sendo tetracamepã mundial, receber US$ 170 milhões de patrocínio e a seleção americana, que não tem jogadores de renome, ter direito a US$ 140 milhões.
Outro fato que preocupa Rebelo é o de a Nike poder, pode meio do contrato, acionar a CBF nos tribunais de qualquer país por danos morais e materiais, e a entidade brasileira não ter o mesmo direito. Além disso, o deputado questiona outro item do contrato que proíbe a CBF de recorrer contra a Nike num foro que não seja Zurique, na Suiça. "Isso é uma absurdo e a entidade precisa explicar porque aceitou esse acordo imoral", protesta Rebelo.