Curitiba - Após ser punido com pena máxima pela Segunda Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o Coritiba espera ''virar o jogo'' e recuperar parte dos mandos de jogo perdidos em primeira instância, para não se tornar um ''migrante'' em 2010.
Condenado inicialmente com a perda de 30 mandos em partidas válidas por competições nacionais, por tripla infração do artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, e a multa de R$ 610 mil, o clube agora confia na defesa que será elaborada por um conselho de notáveis, formado por juristas ligados de alguma forma ao time alviverde.
''Temos total convicção de que este é um jogo de dois tempos e que podemos revertê-lo. Imaginamos que se for mantida esta punição, será o fim do Coritiba, mas temos a convicção de que alguns pontos serão melhor avaliados'', afirma o jurista René Dotti, um dos responsáveis pela tese de defesa do Coritiba no caso, que deve ser julgado pelo Pleno do STJD apenas em fevereiro.
Este distanciamento temporal pode favorecer o clube, já que segundo o também advogado Eduardo Sanz, o julgamento do recurso acontecerá em um ambiente mais calmo, sem o clamor por uma condenação exemplar que norteou a decisão inicial. ''O tribunal desconsiderou alguns pontos da defesa ao punir o clube com a pena máxima. O Coritiba não foge de sua responsabilidade, mas não pode ser o único responsabilizado por todos os atos de alguns vândalos. Nós consideramos a punição abusiva porque o tribunal puniu o clube com três penas máximas em concurso e acreditamos que a conduta do clube é única'', destaca. Na visão da defesa, o Coxa não pode ser responsabilizado três vezes por uma mesma infração, já que o tribunal o culpou por deixar de prevenir ou reprimir a desordem no estádio, a invasão do campo e o lançamento de objetos. Se esta tese for considerada pelo Pleno, a penalização máxima será a perda de dez mandos de jogo.
Sanz destaca que algumas atenuantes não foram consideradas. ''O Coritiba contribuiu ativamente no reconhecimento e na responsabilização dos invasores. 17 deles já foram presos e outros 22 foram identificados. Nunca nenhum clube fez um esforço tão grande para identificar os vândalos como este. Outro atenuante é que o clube é primário, já que não sofreu punição no tribunal nos dois últimos anos'', complementa, lembrando que, apesar de ter sido obrigado a mandar um jogo do último Brasileiro fora do Couto Pereira depois de briga entre torcidas no Atletiba, o clube foi posteriormente absolvido. Outro fato que a defesa considera ter sido ignorado é o ofício encaminhado à Secretaria de Segurança Pública do Paraná, dias antes do jogo, pedindo reforço policial no estádio, já que a invasão do gramado já estava sendo orquestrada.
Enquanto o Coritiba segue planejando sua defesa no caso, o Ministério Público do Paraná reuniu-se ontem com representantes da torcidas organizadas para discutir medidas de prevenção a atos violentos. A proposta é de que as associações tenham maior controle sobre seus integrantes, especialmente aqueles ligados aos ''comandos'', subfacções espalhadas pela cidade.
Paraná
O Tricolor acertou ontem a contratação do goleiro Juninho, que disputou a Série B pelo Juventude. Com passagem de maior destaque pelo Atlético Mineiro, o arqueiro chega para substituir Zé Carlos, que deixa o clube junto aos demais atletas ligados a L.A. Sports.

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