Coxa não consegue sair do 0 a 0
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segunda-feira, 23 de novembro de 1998
Jorge Eduardo 
O Coritiba não conseguiu recuperar-se da derrota no primeiro jogo (1 a 3) e ficou num empate em 0 a 0 com a Portuguesa, ontem à tarde, no Couto Pereira. Dominou a partida, mas esbarrou na aplicação tática e na determinação do adversário, que agora pode até perder pela diferença de um gol, na quarta-feira, e garantir sua vaga na semifinal do Campeonato Brasileiro. Foi este o grande mérito da Portuguesa: defender-se a maior parte do tempo, calcada no regulamento, e partir para os contra-ataques. Até ameaçou algumas vezes, mas seu goleiro, Fabiano, foi o melhor jogador.
O primeiro tempo foi como se esperava: o Coritiba todo no ataque, tentando o gol desde o início, e a Portuguesa se defendendo, recuada em seu campo, à espera de uma saída de contra-ataque com Leandro e Evair. E logo nos primeiros minutos o Coritiba chegou perto do gol, com um cruzamento de Márcio Goiano. A Lusa respondeu aos 2 minutos, quando Evandro desperdiçou um passe de Evair, e parece ter ficado nisso.
A vitória virá nos detalhes, avisava o técnico coritibano Dario Pereyra antes do jogo. Detalhes, no caso, eram os gols - que o time paranaense desperdiçou em grande quantidade, um pouco por afobação, um pouco por falta de sorte.
O lance mais polêmio ocorreu aos 6 minutos, quando o zagueiro César, o último da defesa naquele instante, deu uma gravata em Macedo, que ia em direção ao gol. Pela lógica, César deveria ter sido expulso pelo juiz Márcio Rezende de Freitas, o que teria derrubado a armação tática e defensiva da Portuguesa. César tomou só o amarelo e foi um dos responsáveis por seu time ficar no zero a zero.
Os outros responsáveis foram os jogadores do Coritiba, que pressionaram o tempo todo, mas abusaram do direito de errar. Principalmente João Santos, um dos melhores da partida, que, aos 22 minutos, recebeu na área, pela esquerda, driblou o marcador e acertou o travessão.
Animada pelo resultado, a Portuguesa voltou mais corajosa para o segundo tempo, passando a liberar mais seu meio-campo para jogar próximo a Evair. Mas a pressão do Coritiba foi retomada, e o que se viu foi um verdadeiro bombardeio contra a área do time paulista, surgindo de novo a categoria do zagueiro César e a tarde feliz do ótimo goleiro Fabiano.
As alterações feitas pelo técnico Dario Pereyra (Cléber e Brandão em lugar de Sinval e Macedo) mudaram o ritmo da equipe, que passou a reter menos a bola para chegar ao gol. Isso permitiu à Portuguesa atacar também com velocidade, chegando a ameaçar o gol de Régis. Mas era o Coritiba o dono do jogo e ameaçou até o último minuto, quando João Santos perdeu mais um gol.
Empate decidido, ficaram os méritos para Fabiano. E a torcida já sabe: quarta-feira tem mais sofrimento.
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