Coulthard vence, Hakkinen é líder e clima na Ferrrari fica tenso
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de agosto de 1999
Por Livio Oricchio 
Spa, 29 (AE) - Quando David Coulthard fez seu segundo pit stop
na 32ª volta do GP da Bélgica, hoje, muita gente acreditou que ele "demoraria" um pouco mais nos boxes. O objetivo da McLaren seria permitir que Mika Hakkinen, então segundo colocado, assumisse a liderança da prova. Ron Dennis, sócio e diretor da equipe, não interferiu no resultado e surpreendentemente Coulthard venceu hoje a 12ª etapa do Mundial, no fascinante mas perigoso circuito de Spa-Francorchamps. Hakkinen, agora novo líder do campeonato, ficou em segundo, enquanto Eddie Irvine, da Ferrari, não chegou nem no pódio, ao classificar-se em quarto.
Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, foi terceiro. O clima na McLaren ficou tenso. Hakkinen tentou ser político, mas não escondeu sua irritação com a política de Ron Dennis. "Até que os dois pilotos tenham chances de ser campeões não irei determinar quem deve trabalhar para quem", disse hoje o dirigente. O atual campeão do mundo queria que sua equipe ordenasse a troca de posições com Coulthard, a fim de vencer o GP da Bélgica, o que o levaria a 64 pontos em vez dos 60 atuais. Ele assumiu o primeiro lugar do Mundial, mas com apenas um ponto de vantagem para Irvine, 59. Hakkinen sequer cumprimentou Coulthard no pódio e tampouco participou da festa da champanhe.
"Próxima pergunta, por favor", foi a resposta de Hakkinen à questão que desejava saber se ele gostaria que Coulthard o deixasse passar. Depois, quando lhe perguntaram se ele esperava essa atitude da McLaren, falou: "Não quero responder." De cara fechada e sempre monossilábico, afirmou: "Não pedi nada para Ron Dennis"
ao comentar se solicitara algo por rádio. Sentado ao seu lado, Coulthard desmentiu que haja algo de errado entre ambos. "Você está errado", falou o escocês a um jornalista inglês, que sugeria o mal estar. "Eu não esperava que minha equipe ordenasse nada, essas coisas se discutem antes da corrida começar e não durante elas", destacou Coulthard.
Menos de duas horas depois da bandeirada, o escocês já estava longe, no seu avião particular, retornando para casa, enquanto o normal seria que ele permanecesse no circuito, nas comemorações da equipe. Coulthard cumpriu a risca o que dissera quinta-feira: "Vim aqui para ganhar e entrar na briga pelo título." Agora com 46 pontos, está em terceiro, 13 atrás de Irvine e a 14 de Hakkinen. Restam quatro etapas para o encerramento da temporada. "Claro que posso ser campeão, na próxima etapa, por exemplo (Monza, dia 12), minhas chances são boas de novo, venci lá em 1997 com a McLaren."
O que impressionou a todos hoje em Spa foi a forma agressiva como Coulthard conduziu sua eficiente MP4/14. Hakkinen foi testemunha.
"Tentei acompanhar seu ritmo nas cinco ou seis primeiras voltas e desisti porque vi que eu poderia cometer um erro, estava no limite."
Entre o warm-up, treino da manhã de domingo, e a largada, Coulthard contou que fez algumas alterações no seu carro. "Ele voava na pista." A tensão entre os dois pilotos da McLaren começou na largada, quando o escocês foi por fora na Source, a primeira curva. Na tentativa de não perder o primeiro lugar, Hakkinen, que largara mal, freou por dentro, no limite, chegando a tocar a sua McLaren na de Coulthard, mas sem danos para ambos.
O comportamento do modelo SF-03 da Stewart, hoje, talvez tenha sido o pior das 12 corridas do ano até agora, de acordo com Rubens Barrichello. "O carro não fazia curva, saía demais de frente." Ele acabou em décimo. Pedro Paulo Diniz, da Sauber, se acidentou na 19.a volta na curva Eau Rouge, a mesma onde Jacques Villeneuve e Ricardo Zonta destruíram, sábado, seus carros. "Tive sorte, achei que seria uma grande pancada." Ele rodou no asfalto, perdendo muita velocidade, o que contribuiu para bater apenas de leve nos pneus. Diniz não sabia dizer se sua Sauber teve algum problema. Ricardo Zonta abandonou na 33.a volta com problemas de embreagem e câmbio.


