Já tinha italiano fazendo conta de quando Michael Schumacher poderia ser campeão. Mas a festa acabou antes de começar: o alemão da Ferrari abandonou ontem o GP de Mônaco na 55ª volta, quando liderava com enorme vantagem para David Coulthard, da McLaren, o vencedor. Bom para o campeonato. Agora o escocês ficou a apenas 12 pontos de Schumacher.
Rubens Barrichello, companheiro de Schumacher, contou com a sorte e terminou em segundo, enquanto Giancarlo Fisichella da Benetton, como sempre andou muito bem em Mônaco e foi terceiro.
Dois terços da prova já haviam se passado. Schumacher estava em primeiro, quatro segundos na frente de Coulthard, segundo colocado. Só que o piloto da McLaren ainda não havia feito o seu pit stop, o que quer dizer que a vantagem do alemão era algo em torno de 30 segundos.
Como Mika Hakkinen, também da McLaren, o maior adversário de Schumacher na luta pelo título, estava fora da zona dos pontos, o piloto da Ferrari, se vencesse, e tinha tudo para isso, abriria nada menos de 28 pontos para o finlandês. Em outras palavras: Schumacher quase que definiria o campeonato ainda na sétima etapa.
Mas tudo deu errado para o alemão e certo para quem deseja estender as emoções da disputa até o fim, Bernie Ecclestone, o promotor do show.
Um cano de escape da Ferrari se rompeu, lançando seus gases sobre a barra que controla os movimentos do conjunto mola-amortecedor da suspensão traseira esquerda do carro de Schumacher. Em poucas voltas a barra não resistiu a temperaturas de até 900 graus e rompeu-se. ‘‘Não estou muito decepcionado, afinal Hakkinen não terminou na minha frente’’, afirmou o piloto da Ferrari.
David Coulthard ficou eufórico: ‘‘Este é um GP especial para mim; depois da corrida da Grã-Bretanha é o mais importante; eu moro aqui e vencer o GP de Mônaco é sempre um acontecimento especial.’’ Ele teve de ter bastante paciência no começo. Enquanto Schumacher abria de todos os pilotos, Jarno Trulli, da Jordan, em segundo, segurava o escocês. Atrás dele, Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, em terceiro, também impunha um ritmo bem mais lento do que Mika Hakkinen, em quarto, poderia imprimir.
‘‘Eu era bem mais veloz e não conseguia ultrapassar’’, disse Coulthard. A próxima etapa do campeonato, dia 18 no Canadá lembrou, também é um circuito onde costuma ser muito rápido. ‘‘Só espero que a minha sorte mude por lá, porque duas vezes estava liderando em Montreal quando meu carro quebrou.’’ Sua vitória ontem, combinada com a desistência de Schumacher, deu outro rumo ao Mundial, já que a diferença entre o piloto da Ferrari e Coulthard é relativamente pequena (46 a 34). O escocês pode estar garantindo sua permanência na McLaren na próxima temporada com as boas atuações deste ano. Ele já havia vencido em Silverstone.
A corrida teve duas largadas. Na primeira, Pedro de la Rosa, da Arrows, Jenson Button, Williams, Pedro Paulo Diniz, Sauber, Jacques Villeneuve e Ricardo Zonta, BAR, e Nick Heidfeld, Prost, envolveram-se num acidente na curva mais lenta do circuito, a Lowes, e ficaram por lá. A prova foi interrompida. Eles ainda participaram na competição com o carro reserva.
Vários pilotos se acidentaram ao longo das desgastantes 78 voltas do GP de Mônaco. O mais grave ocorreu com Ralf Schumacher, da Williams, na 37ª passagem. ‘‘Eu desviei para a esquerda para ultrapassar Hakkinen, que saía dos boxes, na Saint Devote (primeira curva) e freei na parte suja do asfalto.’’ Ralf seguiu reto e bateu com a roda dianteira esquerda na proteção da grade. Ele era o quarto colocado.
Com o impacto, um braço da suspensão entrou no cockpit e fez um corte profundo de 7 centímetros na canela da perna esquerda. Ralf foi atendido na pista e depois transportado para o Hospital Princess Grace para sutura. O brasileiro Bruno Junqueira, líder da Fórmula 3000, piloto de testes da Williams, o substituirá a partir de amanhã no teste coletivo da F-1 em Monza.
Giancarlo Fisichella, da Benetton, para manter a tradição, marcou pontos de novo em Mônaco ao se classificar numa boa terceira colocação.

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