No dia da mentira, soaria de fato como uma brincadeira caso não tivesse acontecido na frente de quase 70 mil pessoas. Uma prova de absurdos, barbeiragens, sucessos, fracassos e surpresas, que transformou o velho circuito de Interlagos no palco da melhor corrida do ano, daquela que mudou a história do Mundial. O GP Brasil de F-1 deixou uma semana de ocorrências bizarras para trás e premiou ontem o escocês David Coulthard, da McLaren, vencedor da prova e novo vice-líder do campeonato.
O favorito Michael Schumacher, da Ferrari, foi o segundo colocado. Completou o pódio uma zebra, Nick Heidfeld, da Sauber. O único brasileiro a terminar a prova foi Tarso Marques, da Minardi, em nono.
Rubens Barrichello viveu um de seus piores dias. Ao levar o carro para alinhar no grid, um problema no motor de sua Ferrari o obrigou a encostar. Enquanto corria a pé para voltar aos boxes, na garagem os mecânicos corriam para ajustar o carro reserva – estava pronto para o alemão. Barrichello conseguiu voltar à pista, alinhar e largar, mas apenas para dar duas voltas. Na tentativa de ultrapassar Ralf Schumacher, acertou a traseira do Williams do rival.
Se o dia não era de Barrichello, deveria então ser o de Schumacher. Não foi. Ultrapassado por Juan Pablo Montoya no início da corrida, ainda amargou duas rodadas e outra ultrapassagem, de Coulthard, em pista molhada, algo incomum na sua carreira.
Poderia ter sido também o dia de Montoya. Liderou metade da corrida, a terceira de sua carreira na F-1. Acabou na grama depois de uma barbeiragem semelhante à de Barrichello, desta vez cometida pelo holandês Jos Verstappen.
O dia, então, sobrou para Coulthard. Um desempenho que encerrou uma série de seis vitórias do alemão. O campeonato, porém, ganhou uma nova personagem, a Williams, que colocou Ralf na primeira fila, ontem, e viu Montoya liderar.
E o GP, que até a largada estava nas mãos de Barrichello, ganhou uma ajuda inesperada: da própria F-1, que passou a semana criticando São Paulo e seu autódromo, e viveu um grande dia.
Abatido com o abandono no GP Brasil, Rubens Barrichello preferiu continuar em Interlagos até as 18h30: ‘‘Quero conversar com a equipe sobre os problemas que eu tive’’.
Pergunta – O que aconteceu com o seu carro titular?
Rubens Barrichello – É difícil responder porque essas coisas misteriosas acontecem. O carro estava arrumadinho... Foi como levar uma facada nas costas.
Pergunta – Até o abandono, como estava o GP para você?
Barrichello – É claro que nunca é uma situação ideal correr com um carro que não é da gente. Mas fiz uma excelente largada, passei o (Jacques) Villeneuve e o Frentzen... O problema é que fui passar o Ralf e ele veio de repente para a direita e freou. Não se faz o que ele fez.
Pergunta – Você teve um problema com o Ralf na Malásia. Ele agiu de má fé?
Barrichello – Não acredito nisso. Se uma pessoa fizer algo de má fé na F-1, com certeza vai se machucar e acabará machucando os outros.

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