Coulthard surpreende e vence GP Brasil
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domingo, 01 de abril de 2001
Agência Folha De São Paulo 
No dia da mentira, soaria de fato como uma brincadeira caso não tivesse acontecido na frente de quase 70 mil pessoas. Uma prova de absurdos, barbeiragens, sucessos, fracassos e surpresas, que transformou o velho circuito de Interlagos no palco da melhor corrida do ano, daquela que mudou a história do Mundial. O GP Brasil de F-1 deixou uma semana de ocorrências bizarras para trás e premiou ontem o escocês David Coulthard, da McLaren, vencedor da prova e novo vice-líder do campeonato.
O favorito Michael Schumacher, da Ferrari, foi o segundo colocado. Completou o pódio uma zebra, Nick Heidfeld, da Sauber. O único brasileiro a terminar a prova foi Tarso Marques, da Minardi, em nono.
Rubens Barrichello viveu um de seus piores dias. Ao levar o carro para alinhar no grid, um problema no motor de sua Ferrari o obrigou a encostar. Enquanto corria a pé para voltar aos boxes, na garagem os mecânicos corriam para ajustar o carro reserva estava pronto para o alemão. Barrichello conseguiu voltar à pista, alinhar e largar, mas apenas para dar duas voltas. Na tentativa de ultrapassar Ralf Schumacher, acertou a traseira do Williams do rival.
Se o dia não era de Barrichello, deveria então ser o de Schumacher. Não foi. Ultrapassado por Juan Pablo Montoya no início da corrida, ainda amargou duas rodadas e outra ultrapassagem, de Coulthard, em pista molhada, algo incomum na sua carreira.
Poderia ter sido também o dia de Montoya. Liderou metade da corrida, a terceira de sua carreira na F-1. Acabou na grama depois de uma barbeiragem semelhante à de Barrichello, desta vez cometida pelo holandês Jos Verstappen.
O dia, então, sobrou para Coulthard. Um desempenho que encerrou uma série de seis vitórias do alemão. O campeonato, porém, ganhou uma nova personagem, a Williams, que colocou Ralf na primeira fila, ontem, e viu Montoya liderar.
E o GP, que até a largada estava nas mãos de Barrichello, ganhou uma ajuda inesperada: da própria F-1, que passou a semana criticando São Paulo e seu autódromo, e viveu um grande dia.
Abatido com o abandono no GP Brasil, Rubens Barrichello preferiu continuar em Interlagos até as 18h30: Quero conversar com a equipe sobre os problemas que eu tive.
Pergunta O que aconteceu com o seu carro titular?
Rubens Barrichello É difícil responder porque essas coisas misteriosas acontecem. O carro estava arrumadinho... Foi como levar uma facada nas costas.
Pergunta Até o abandono, como estava o GP para você?
Barrichello É claro que nunca é uma situação ideal correr com um carro que não é da gente. Mas fiz uma excelente largada, passei o (Jacques) Villeneuve e o Frentzen... O problema é que fui passar o Ralf e ele veio de repente para a direita e freou. Não se faz o que ele fez.
Pergunta Você teve um problema com o Ralf na Malásia. Ele agiu de má fé?
Barrichello Não acredito nisso. Se uma pessoa fizer algo de má fé na F-1, com certeza vai se machucar e acabará machucando os outros.


