São Paulo - Bruno Cortês começou o ano jogando pelo modesto Nova Iguaçu, após brilhar pelo Quissamã, na segunda divisão do Campeonato Carioca. Em abril, chegou ao Botafogo sem muitos holofotes, apenas para compor o elenco e tendo como objetivo nada mais do que tentar jogar um pouco na Série A do Campeonato Brasileiro, algo que para alguém que atuou até na várzea, já seria demais.
Antes mesmo de enfrentar dificuldades para conseguir vingar na carreira de jogador de futebol, ele sofreu diversos tombos, como a morte de sua mãe durante o trabalho de parto de seu irmão, que também acabou falecendo durante o ato. Na época, Bruno tinha apenas 11 anos de idade e sem pai, que também faleceu quando ele era criança, foi criado pelos tios e vizinhos.
Mas nada disso fez ele desistir do sonho de ser jogador. E bastaram apenas seis meses com a camisa do Botafogo para se tornar titular absoluto do time carioca, chegar à seleção brasileira e se tornar alvo de cobiça de vários clubes como Lyon, da França, Napoli, da Itália, e Getafe, da Espanha. Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o lateral contou como lida com este sucesso tão repentino, explicou a polêmica festa de casamento no Habib's e falou sobre sua reação ao saber que foi convocado para a seleção, o sentimento de enfrentar a Argentina e, melhor, conquistar um título pela contra o maior rival.
Hoje você aparece como um dos melhores jogadores do futebol brasileiro. Esperava ter uma ascensão tão rápida na carreira?
Sempre trabalhei muito, mas é lógico que não esperava que isso acontecesse tão rápido assim. Estou muito feliz e sei que o grande responsável por tudo isso é Deus. Sem Ele eu não conseguiria conquistar nada disso.
É verdade que você chegou a atuar até na várzea no Rio de Janeiro?
Tenho orgulho disso. Cheguei a jogar no futebol amador em Campo Grande. Depois disso fui levado para o Al-Shahaniya, do Catar, e depois voltei para o Quissamã. Fui eleito o melhor lateral da segunda divisão do Campeonato Carioca e depois disputei a primeira divisão pelo Nova Iguaçu. Fui novamente escolhido o melhor jogador da competição e, por causa disso, o Botafogo se interessou pelo meu futebol e hoje estou aqui.
Você ficou ainda mais conhecido em todo o Brasil por ter realizado sua festa de casamento no Habib's. Por que você decidiu fazer isso?
Tinha casado rapidamente no civil e não ia fazer nenhuma festa. Aí, me ofereceram para fazer uma ''comemoraçãozinha'' de graça no Habib's e eu aceitei. Foi tudo muito bom.
Muita gente diz que existe uma carência na seleção pelo lado esquerdo. Você concorda que hoje não existem tantos jogadores que possam disputar uma vaga na seleção com você?
É complicado ficar analisando este tipo de coisa porque eu faço parte dessas opções para a lateral. O que eu posso falar é que eu quero muito continuar servindo a seleção. Foi uma experiência maravilhosa.
Acha que voltará a ter uma oportunidade na seleção ou foi chamado apenas porque o Mano Menezes não podia convocar atletas do exterior?
Não sei. O que posso dizer é que eu tentei fazer o meu melhor. O Mano foi muito legal comigo e me deu alguns conselhos. Gostei muito dele e de todos do grupo. Espero que o pessoal tenha gostado de mim também, como pessoa e pelo que eu fiz em campo.
Como você ficou sabendo da sua convocação para a seleção e qual foi a reação?
Eu estava em casa, sem tevê na hora porque o técnico estava instalando a tevê a cabo. De repente, o Jorge Moraes (amigo dos tempos de Nova Iguaçu) me falou da convocação. Claro que nem acreditei, mas depois que vi que era verdade, nem sabia como comemorar. Me joguei no chão e comecei a chorar. Lembrei de tudo que passei na minha vida.
Você conversou com o Mano Menezes sobre a sua participação no time? Se conversou, o que ele falou para você?
Ele procurou me orientar sobre a forma que ele gostaria que eu jogasse. Eu procurei fazer tudo o que ele pediu. Foi uma experiência legal ter sido comandado por ele. Espero que aconteça mais vezes.
O que passou na sua cabeça quando entrou em campo com a camisa amarela para enfrentar logo a Argentina?
Eu sempre parava para ver os jogos da seleção e ficava admirando os jogadores, sonhando um dia estar lá, jogando pelo meu País. Foi demais estar lá. Acabou sendo a realização de um sonho de infância.
É difícil não se deslumbrar com tudo isso. Como faz para continuar a ser esse Cortês que está conquistando a torcida do Botafogo?
Eu não corro esse risco. Sei de onde eu vim e para onde quero ir. Vou ser sempre desse jeito.
Qual seu maior objetivo neste momento: buscar um título pelo Botafogo ou se firmar na seleção brasileira?
Não dá para escolher. Os dois seriam muito importantes para a minha carreira. Um faz parte do outro. Se eu conseguir tudo que quero com o Botafogo a seleção virá por consequência.
E qual seu sonho na carreira?
Sinceramente, eu não tenho mais nada para pedir. Neste momento, só agradeço a Deus todos os dias por tudo o que está acontecendo na minha vida.

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