Muita gente não entende a loucura que eles têm por...correr. Acordar às cinco, seis da manhã, correr cinco, sete, dez quilômetros, e voltar suado, cansado. Mas por que será então que este esporte vem conquistando cada vez mais adeptos todos os dias? Com a palavra os corredores: "Tudo isso vale a pena quando você conclui uma prova. É aquela sensação indescritível de chegar ao seu limite. Não tem muita explicação", conta a pedagoga Roseli Carlos, da equipe R80, de Londrina, que corre há quatro anos. "A cada prova que a gente termina é uma emoção grande, pois lembra de tudo que você deixou para trás, filhos, marido, dos treinos, das pessoas que dizem que somos ‘loucos’. É uma vitória", descreve a fotógrafa Daniella Soriani, do grupo Saúde, da Associação Médica de Londrina (AML).
E é em busca exatamente desses ingredientes que um grupo de mais de 50 londrinenses participa hoje da 8ª edição da Meia Maratona de São Paulo. A satisfação de terminar uma prova como a tradicional meia paulistana é o ápice. "Vai muito além da questão da qualidade de vida. Para mim é um sonho terminar a prova", resume Roseli Carlos, que já disputou mais de 20 provas, mas vai a São Paulo correr a Meia Maratona pela primeira vez.
Para Daniella Soriani, cada prova terminada tem um significado ainda maior. Foi o esporte que a ajudou a vencer dois inimigos. "Foi através da corrida que consegui superar um quadro de hipertensão e pré-diabetes, por conta da obesidade, então só o fato de estar ali no meio de todas aquelas pessoas já me fortalece muito", diz a fotógrafa, que perdeu 20 quilos depois que começou a correr, há pouco mais de um ano e meio. "A corrida trouxe um outro significado para a minha vida. Nunca imaginei correr e hoje não consigo me imaginar sem a corrida", jura a corredora.
Há também aqueles que são movidos a desafios. O vendedor Robson Beilfuss Andrade, da equipe Pégasus, é desses. Ele disputará a prova paulistana pela segunda vez seguida e tem como objetivo melhorar o tempo feito em 2013. "No ano passado, terminei a prova em 1 hora, 32 minutos e 48 segundos. Agora minha meta é tentar correr abaixo de 1 hora e 30 minutos", cravou. "Eu gosto dessa ideia do desafio do tempo, de competir comigo mesmo e sempre tentar melhorar", justifica-se.
Robinho, como é chamado pelos amigos, tem na corrida um agente motivacional. "É um combustível para tudo na vida", resume. E olha quem diz isso é um cara que nem pensava em correr quando mais jovem. "Tinha um tio meu que corria e sempre me chamava, mas eu não gostava. De tanto ele insistir, um dia resolvi ir e gostei. Nunca imaginei correr, participar de provas", relembra o vendedor londrinense, que já até perdeu as contas de quantas largadas fez. "Ah, mais de 50 com certeza".
Os objetivos destes londrinenses vão se misturar aos de pelo menos mais 5 mil corredores que vão se "amontoar" hoje pelas ruas da maior cidade do Brasil. A largada da prova está marcada para as 7h15 da manhã, na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu. Bem cedo para um domingo, mas nada que a maioria destes apaixonados por corrida já não esteja acostumado.

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