Uma corrida realizada em Londrina no último domingo (5) contou com tecnologia que cada vez mais tem se integrado ao cotidiano da população: o reconhecimento facial. A sétima edição da Atos Green Run foi realizada no aterro do Lago Igapó e contou com ferramentas para a identificação dos atletas ao longo do percurso.

Com algoritmos matemáticos que mapeiam diferentes pontos do rosto humano, como distância entre olhos, dimensão da ponta do nariz, entre outros marcadores da face que são possíveis medir com o equipamento, a Atos, que é parceira mundial de tecnologia da informação para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, disponibilizou aos participantes da competição uma pequena amostra do que é possível realizar em um evento de grande porte, que envolve multidões.

Alan Baldo, gerente do programa de inovação da Atos, explicou que na prova realizada em Londrina, algumas pessoas utilizaram um dispositivo similar aos óculos do Google, o Google Glass, que disponibiliza informações processadas e exibidas no campo de visão. As imagens captadas pela câmera inteligente foram processadas e permitiram a identificação de dois atletas que foram pré-cadastrados de forma voluntária. Assim que os corredores passaram pela chegada, um agente já tinha fotos do momento em que o atleta foi identificado à sua disposição. “Se um policial estiver usando esses óculos consegue ter uma informação mais precisa do que só o áudio”, explica Baldo. O gerente da Atos não sabe dizer se esta foi a primeira corrida que utiliza essa tecnologia no Brasil, mas certamente foi uma das primeiras.

Em Londrina, quando a pessoa identificada estava a cinco metros da linha de chegada, o indivíduo com os óculos recebeu a imagem de registro de um lado do campo de visão e do outro lado ele podia ver a imagem real. “Isso torna possível uma tomada de decisão mais precisa. Na simulação realizada em Londrina, uma imagem de um distintivo surgia quando a câmera identificava uma pessoa procurada”, aponta Baldo.

Baldo explica que essa tecnologia permite que se reconheçam outras coisas, como o formato de uma arma, por exemplo. “Existem outras aplicações para essa tecnologia. O uso mais óbvio é na segurança pública, mas é possível utilizar para identificar pessoas desaparecidas ou encontrar alguém em uma emergência médica. Outro cenário aplicável é o resgate ou proteção de uma pessoa no meio da multidão. O equipamento também pode ter uso corporativo”, apontou.

Esses óculos inteligentes podem ser utilizados em um socorro médico, em uma situação em que um especialista consiga ver o procedimento à longa distância com os olhos de quem está atendendo a pessoa naquele instante.

Com métodos menos invasivos se comparados aos equipamentos de leituras de impressão digital ou de varredura de retina, a tecnologia utilizada na corrida da Atos integrou diferentes tecnologias como a inteligência artificial, visão computacional e biometria facial. Os atletas puderam ser monitorados em tempo real ao longo do percurso. Baldo garante que a tecnologia dá mais autenticidade ao resultado. “Por meio dela é possível combinar mais de uma informação. Os dados da tag (chip utilizado para cronometragem em corridas de rua) podem ser somados a uma característica biológica. Em um ambiente de competição de alto nível, o uso da tag é mais preciso, mas o reconhecimento facial torna a corrida mais segura”, destaca o gerente.

Ele explica que a prova tem toda a jornada registrada e a partir do cadastro da imagem do atleta na plataforma é possível identificá-lo nos pontos de prova pré-determinados que possuam câmeras inteligentes, por meio do reconhecimento da face, independentemente das alterações faciais (expressão diferente, barba ou óculos de grau). A tecnologia é semelhante à que vem sendo utilizada no desbloqueio de alguns celulares e tudo isso alinhado com o GDPR (General Data Protection Regulation), regulamentação que determina que quaisquer informações sobre um indivíduo, que podem ser utilizadas para identificá-lo, seja por nome, RG ou até mesmo dados médicos e biométricos devem estar protegidas.

Um dos corredores que se voluntariou a ser identificado foi o analista de marketing Sílvio Tizziani. “O que me levou a ser voluntário é que sou interessado por tecnologia e quando surgiu o convite foi a oportunidade de ver na prática isso acontecendo. Assim que minha imagem foi capturada por uma lente fui identificado. Eu participei da corrida normalmente, mas desta vez tive a surpresa de alguém ter me capturado como se fosse um procurado. Fiquei admirado, pois quando cheguei, me identificaram e quando cheguei ao estande a minha imagem estava no telão”, afirma.

Segundo ele, apesar de ser uma simulação, na chegada, se precisasse da validação do resultado, o equipamento possibilitaria isso. “Se eu estivesse em situação de emergência, esse equipamento daria segurança”, aponta. O mesmo ocorreria se estivesse em uma urgência médica. “Nessa situação ele também me identificaria”, aponta.

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