Correndo atrás do sonho
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terça-feira, 21 de agosto de 2012
Rafael Souza <br> Reportagem Local 
Enquanto milhares de jogadores de futebol sofrem com o desemprego no Brasil (ver matéria na capa do Folha Esporte), outros mantêm o sonho de se tornar um profissional do esporte.
Estudante do Colégio Estadual Roseli Piotto, na Zona Norte de Londrina, Willian Gomes já tinha desistido do sonho de ser jogador de futebol. Depois de algumas tentativas frustradas, o garoto de 17 anos estava até conformado por ter de deixar seu grande objetivo de lado para pegar firme nos estudos e trabalhar. Mas nesta semana, ele viu o sonho ganhar vida novamente com o início do torneio interescolar do Paraná Bom de Bola, projeto que corresponde ao antigo Piá de Bom de Bola, reativado este ano com o mesmo formato dos Jogos Escolares.
Dono da camisa 11, o atacante só pensa agora em aproveitar a chance para ver o sonho de seguir carreira no futebol se confirmar. ''O time que eu jogava ganhou várias vezes o campeonato interno do colégio e eu sempre quis ser jogador, crescer e ser conhecido. Uma vez quase fui para um teste no Santos, mas não deu certo. Agora quero aproveitar'', disse ele, que estuda à noite e trabalha como vendedor durante o dia.
Além do mesmo time, o zagueiro Estevão Fernando Braga divide com o companheiro o mesmo objetivo. O garoto veio de São Paulo com a família há sete meses e já ganhou uma oportunidade nas categorias de base do Cincão Esporte Clube, onde treina todos as tardes. ''Quero agarrar esta oportunidade. Na hora que aparecer coisa melhor, tenho que estar pronto'', afirmou, esperançoso, o garoto de 16 anos, que não se importa com a rotina pesada, que concilia treinos e estudos, no período da noite. ''Deus não dá nada de graça para ninguém. Se a gente quer, tem que lutar muito''.
Ao menos estilo de jogador, ele já tem. Cabelo moicano, loiro, chuteira colorida, tudo inspirado em um 'tal' Neymar, que mesmo com o fracasso da seleção brasileira nas Olimpíadas de Londres segue fazendo a cabeça (aliás, não só a cabeça) dos boleiros iniciantes. ''Sou são-paulino, mas o Neymar joga demais'', elogiou. Questionado sobre a veneração ao craque santista, o são-paulino logo tentou corrigir. ''Gosto do Lucas também'', disse rapidamente, ainda envergonhado.
Adepto do mesmo estilo moicano, Leonardo Oliveira, de apenas 13 anos, reluta em concordar que o corte foi inspirado em Neymar. ''Não, fiz porque tá na moda'', diz. Mas a chuteira colorida e o tradicional ''boleirês'' já na ponta da língua não negam a influência. ''Meu sonho é ter um futuro melhor e ajudar a família'', disse o estudante do Colégio Heber Vargas Soares, que já treina no Londrina, mas será obrigado a deixar os treinos para fazer reforço escolar.
Fonte de inspiração realmente não falta aos meninos. Antes do início da carreira, os londrinenses Rafinha e Fernandinho, que hoje atuam no futebol europeu, também jogaram a versão antiga do projeto, o Piá Bom de Bola.


