Curitiba - Hoje, às 17 horas, quando os times do Coritiba e do Atlético Paranavaí entrarem no gramado do Estádio Couto Pereira, estará prestes a começar uma decisão inédita no futebol paranaense. Pela primeira vez dois times que não conheceram derrota jogam pelo título. Mais que isso, se houver um empate, pela primeira vez tanto o campeão quanto o vice sairão invictos da competição.
A última vez que uma equipe conquistou o título sem ser derrotada foi em 1936, com o Atlético. Um ano antes, em 1935, o Coritiba havia sido campeão invicto. Portanto, se o Coxa for campeão hoje, estará realizando uma façanha que o clube demorou 68 anos para repetir. Ao mesmo tempo, caso o capitão Reginaldo Nascimento levante a taça de campeão depois do jogo, estará repetindo um ato feito por outros 30 capitães de times do Coritiba.
Por outro lado, o Atlético Clube Paranavaí, se chegar ao título, estará realizando uma façanha totalmente inédita na sua história de 57 anos. O clube foi vice-campeão da Divisão de Acesso no ano passado, com a chegada do técnico Itamar Bernardes, mas o time foi totalmente reformulado para este ano. Na verdade, o time foi montado em cima da hora. A campanha do ''Vermelhinho'' foi a grande surpresa da temporada.
Tradição, títulos, história e estatísticas ficam de fora do campo e a decisão é dentro do gramado. Os dois times têm características diferentes. Enquanto o Paranavaí é um time experiente, comandado pelos veteranos Neizinho e Aléssio, o Coritiba tem um time formado por muitos garotos e quatro deles foram formados pelo trabalho de base do clube: Juninho, Adriano, Lima e Marcel.
Os dois técnicos, portanto, têm formas distintas de motivar os jogadores. Para Bonamigo, o título é importante para que o grupo de jovens ''se afirme no futebol brasileiro''. Para Bernardes, um título recuperará muitos jogadores que voltam a ficar na vitrine e, portanto, com mais uma chance de crescimento na carreira.
Bonamigo não contou com Tcheco e Juninho em alguns treinamentos da semana, mas o departamento médico do clube garante que os dois jogarão. O time, portanto, vai completo e com 12 jogadores considerados titulares pois Pepo, que atuou na primeira partida da decisão, esteve muito cotado para jogar no lugar de Lima, que entra como titular. Durante toda a semana, a equipe fez questão de expor a união do grupo. O artilheiro Marcel resume o espírito de todos. ''Entre ser artilheiro do paranaense e ser campeão, prefiro ser campeão, portanto vou jogar para o time e não para mim, como todos farão'', afirma o atacante.
Bernardes viajou a Curitiba escondendo o time e com uma dúvida. O meia Júlio, espécie de maestro do time, não jogou a primeira partida e não treinou durante a semana. Ele está com uma lesão no joelho e se jogar estará entrando no sacrifício. Além dele, Neizinho e Aléssio foram poupados nos últimos treinamentos e, segundo o técnico, são dúvidas. O zagueiro Marcelo, que não participou da primeira partida da decisão, cumpriu suspensão por ter sido expulso e volta ao time titular.

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