Ed Carlos Rocha
Um time escalado para jogar fora de casa com cinco jogadores no meio-de-campo e apenas um atacante vai atuar de forma defensiva? Se a pergunta for feita para o técnico do Coritiba, Abel Braga, a resposta é rápida e rasteira: ‘‘de forma nenhuma. Ter mais meias não significa que iremos nos defender. Vamos atacar, só que, com mais movimentação, tanto os meias quanto os laterais vão chegar com mais frequência na frente’’, disse o treinador.
O maior número de meias – Luis Carlos, Struway, Mozart, Betinho e Darci – e a redução do número de atacantes foi confirmada ontem pelo treinador no coletivo realizado à tarde no Couto Pereira. Betinho vai mesmo ocupar a vaga de Sinval. Com isso, de acatante ‘‘nato’’, o Coxa só terá Cléber contra o São Paulo, amanhã, às 18h30, no Morumbi.
A expectativa do treinador é que com Betinho e Darci juntos, que são mais técnicos, o Coritiba ganhe também em qualidade de passe, o que, segundo Abel, vem sendo sempre um dos principais problemas do time. ‘‘Deveremos tocar melhor a bola e, junto com a movimentação de todos, vai melhorar o desempenho da equipe. A expectativa é que tenhamos equilíbrio na atuação do primeiro e do segundo tempo’’.
Os próprios jogadores confiam nisso. Betinho afirmou que o maior número de meias vai fazer a equipe valorizar a posse de bola. ‘‘Vamos estar mais agrupados no meio e isso vai ajudar na troca de bola’’, afirmou. ‘‘Quanto mais jogadores de qualidade no meio, mais fácil para criar as jogadas, com consciência e sem afobação’’, observou Darci’’.
Betinho, que ainda não se afirmou no time e constantemente é vaiado nos jogos em Curitiba, declarou que se sente tranquilo para tentar aproveitar mais uma vez a chance entre os titulares. ‘‘Jogador profissional deve saber que ser reserva faz parte do trabalho e que a qualquer momento pode ganhar a posição de novo. Por isso, estou tranquilo para ajudar o Coritiba a vencer o São Paulo’’.
Por incrível que pareça, o atacante Cléber, que vinha reclamando da falta de jogadores para ajudá-lo no ataque, gostou da mudança tática. Segundo ele, o fato de estar isolado na frente vai forçá-lo a explorar sua principal característica, que é a individualidade. ‘‘Vou acabar tendo mais chances de partir para cima da defesa para conseguir o drible. Além disso, a bola deverá chegar também mais redonda’’.
Fora a entrada de Betinho, a equipe, que não vence há seis jogos, será a mesma que começou jogando contra o Paraná Clube no último domingo.

mockup