Curitiba - No dia em que a atuação de Marcelinho Paraíba acompanhou as variações climáticas da primavera curitibana, o Coritiba nem precisou jogar bem para bater o Náutico por 2 a 0, respirando um pouco mais aliviado pela maior folga em relação à temida zona do rebaixamento.
Com o craque alviverde alternando raras belas jogadas com lances bisonhos, como na cobrança de pênalti batida nas nuvens, já no segundo tempo, quando o placar era de 1 a 0, o Coxa demorou a engrenar. E só ameaçou de verdade a meta do Timbu na metade da primeira etapa, em conclusões perigosas do próprio Marcelinho e de Rômulo, em sua estreia entre os titulares. Mas foi apenas aos 32 minutos, em bola que passou pelos pés de Carlinhos Paraíba, Pedro Ken e Marcelinho que o recém-chegado atacante aproveitou a saída desesperada do goleiro adversário para marcar pela primeira vez no novo time.
Marcelinho, o nome do jogo para o bem e para o mal, ainda desperdiçou outra boa chance na etapa inicial, soltando bomba bem defendida por Glédson após ótima jogada de Luciano Amaral. O Coxa não jogava bem, mas a vantagem obtida na metade inicial da partida ainda manteve a torcida tranquila. Mas os erros sucessivos de passes na etapa final foram carregando a atmosfera do Couto Pereira a exemplo do que ocorria no céu sobre o estádio.
A calmaria veio quando Leandro Donizete resolveu fazer o que Carlinhos, Pedro e Marcelinho não conseguiam, avançando com a bola e deixando para trás dois marcadores até ser derrubado na área. Eram apenas nove minutos e parecia que a vitória seria tranquila. Mas Marcelinho atiçou a tormenta ao bater a penalidade para fora, sendo vaiado por parte da torcida.
Mas o Náutico, dos improdutivos Irênio e Tuta, praticamente não assustava. A redenção de Marcelinho poderia ter vindo em cobrança de falta, que bateu no travessão e dentro do gol, não anotado pela arbitragem, aos 33 minutos. Mas chegou mesmo aos 38, quando o ídolo alviverde finalmente marcou o seu antes de desabafar com a torcida.
''Até fazer o gol o meu sentimento foi de angústia por ter perdido o pênalti e principalmente por ser vaiado por parte da torcida, que não teve paciência por tudo o que eu já fiz pelo Coritiba. Mas o mais importante foi a vitória sobre um rival direto'', resumiu o personagem do domingo.



EM CURITIBA

Coritiba 2

Édson Bastos; Rodrigo Heffner, Jeci, Pereira e Luciano Amaral; Jaílton, Leandro Donizete, Pedro Ken (Marcos Aurélio) e Carlinhos Paraíba (Thiago Gentil); Marcelinho Paraíba e Rômulo (Makelele). Técnico: Ney Franco

Náutico 0

Glédson; Vágner, Márcio e Asprilla; Aílton (Bruno Mineiro), Nilson, Derley (Rudinei), Irênio e Anderson Santana; Carlinhos Bala e Tuta (Márcio Barros). Técnico: Geninho

Árbitro: Leonardo Gaciba (Fifa/RS)
Estádio: Couto Pereira
Gols: Rômulo, aos 32 minutos do 1º tempo; Marcelinho Paraíba, aos 38 minutos do 2º tempo
Público: 14.228
Renda: R$ 176.765,00

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