Curitiba - O sofrimento da torcida coxa-branca, que durou dois anos e terminou no último sábado, com a classificação garantida para a Série A, foi só o primeiro passo para o clube. A conquista do título da Série B, antes tida como uma meta menos importante, agora é questão de honra no Alto da Glória.
A festa pela vaga garantida com quatro rodadas de antecipação é passado no clube, que concentra esforços para atingir o título inédito - o melhor resultado da Segundona é o vice-campeonato em 1995. ''Eu sempre planejei o título, principalmente porque nossa equipe se destaca pela regularidade. Nós podemos não ganhar quatro jogos em sequência, mas só deixamos de pontuar por dois jogos seguidos uma vez no campeonato. Mas preferi trabalhar jogo a jogo para não pressionar os atletas'', explica o técnico René Simões, um dos principais responsáveis pela boa campanha do Coxa no segundo semestre, mas com permanência incerta em 2008.
Quadro bem diferente do apresentado no início do ano, quando, com uma série de contratações mal-sucedidas, o time não foi bem no Paranaense e na Copa do Brasil. Período utilizado para testes com parte dos 39 atletas trazidos ao clube, além de 12 pratas-da-casa integrados ao elenco profissional. Mescla que deu certo mais tarde, principalmente quando Simões mudou o posicionamento dos laterais Anderson Lima, que virou líbero, e Douglas Silva, que passou a jogar como volante.
Antes disso, a torcida sofreu com a falta de uma base, que motivou a dispensa de 21 jogadores ao longo do ano. Se a escalação do time titular - com uma ou outra mudança por contusão ou suspensão - está na mente de qualquer torcedor coxa-branca, o quadro em nada lembra o dos tempos de Gilberto Pereira e Guilherme Macuglia. Um dos heróis da conquista, o goleiro Édson Bastos, por exemplo, foi o quinto a ocupar a posição. Antes dele, passaram pela meta da equipe Marcelo Bonan, Ricardo Vilar, Rodrigo Café e Artur.
Outros que atingiram o posto de ídolos alviverdes são os garotos Henrique, Pedro Ken, Marlos e Keirrison, que já despertam interesse de equipes brasileiras e européias. ''São jogadopres muito novos e seus empresários têm consciência de que é importante para eles disputar a Primeira Divisão. Por enquanto não temos propostas concretas e acredito que poderemos mantê-los no ano que vem. Então eles poderão galgar oportunidades na Europa, que é o sonho de todo jogador atualmente'', explica o presidente do clube Giovani Gionédis.
Mas, se o elenco atual desfruta de prestígio, alguns de seus antecessores não deixaram saudade. Entre as apostas que não deram certo, seria possível escalar o Coritiba com Bonan no gol, China, Ozéia, Luizão e Daniel Cruz na linha de zaga, Marcos Mendes, Rodrigo Santos, Geraldo e Lei no meio-campo, e Rafael Santiago e Guilherme no ataque. Apenas alguns dos atletas que não conseguiram se firmar no clube.
Além dos acertos de Simões, especialmente nos jogos cruciais para garantir a vaga - vitórias sobre Cricíuma e Ipatinga, em Curitiba, e Marília, no interior paulista -, a torcida teve papel destacado no retorno à Série A em 2008. ''O apoio do torcedor foi fundamental para o Coritiba chegar à Primeira Divisão até porque o Couto Pereira virou um verdadeiro alçapão para nosso adversários'', ressalta Gionédis, que relembra que o time soma 14 vitórias, dois empates e apenas uma derrota atuando em seus domínios.

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