São Paulo, 10 (AE) - Os corintianos que compareceram para assistir à partida entre Real Madrid e Raja Casablanca tiveram uma missão "ingrata". Torcer para uma equipe (o Raja) que tem o verde como cor principal. "A última vez que precisamos fazer isso foi em 1988", lembrou Gustavo Fillipini, de 82 anos, aposentado. Ele se referiu ao jogo do Campeonato Paulista no qual os corintianos torceram para o Palmeiras contra o São Paulo. A vitória palmeirense (1 a 0, gol do volante Gérson Caçapa) desclassificou o Tricolor e colocou o Corinthians na final contra o Guarani.
Os cinco torcedores, que moram na Lapa, enfrentaram as ameaças
mas continuaram vestindo camisetas verdes, que estavam enroladas na cintura para não serem detectadas pela Polícia Militar. Nenhuma do Palmeiras. "Também não somos loucos", afirmou Gabriel Fillipini, de 36 anos. Uma camisa do Goiás e outra do Guarani tiveram retirados os distintivos e foram colocadas do avesso. "O mais importante é a vaga para a final; depois vamos lavar o corpo com ácido e queimar as camisas", brincou Antonio Fillipini, de 17 anos.
A família já planejava a viagem para o Rio. "Vamos fazer a final contra o Necaxa", disse Marcos, de 26 anos. "O Vasco está pensando que já está na final e vai cair do cavalo", completou. Amanhã à noite sairá o campeão do Grupo B, que fará a final contra o primeiro do Grupo, sexta-feira, no Maracanã, às 20 horas. "Ganhar um campeonato passando por Real Madrid e Vasco, de Edmundo e Romário, será maravilhoso", disse Mário, irmão gêmeo de Marcos. "Este é o verdadeiro campeonato mundial; não aquele que o Palmeiras disputou e o São Paulo e o Santos ganharam duas vezes."
Mas uma invasão do Maracanã, como aquela que foi feita na semifinal do Campeonato Brasileiro, na partida contra o Fluminense, não é ambicionada pelos torcedores. "Naquela época, a paixão era enorme pelo Corinthians", lembrou Gustavo. "O time estava há mais de 20 anos sem título e qualquer jogo levava 50 mil pessoas ao estádio."
A violência também foi apontada como um fator negativo para uma presença grande de torcedores. "Não se sabe se vamos voltar bem para casa; veja só, nossas mulheres estão em casa loucas para vir, mas não tivemos coragem de tirá-las de casa", disse Gabriel.
Gustavo preferiu continuar provocando os "inimigos" palmeirenses. "Uma pena o Manchester não ter conseguido a classificação", ironizou.
"Queria vingar o Palmeiras da derrota sofrida na final da Copa Intercontinental, em Tóquio", continuou. "Fiquei com uma pena deles (palmeirenses) e gostaria de derrotar os ingleses em homenagem aos nossos co-irmãos."
Vendas - Os vendedores de camisa comemoraram o grande número de camisas do Corinthians vendido antes da partida de hoje à noite contra o Al Nassr. "Fazia muito tempo que não tinha tanto lucro", disse Benedito Rosa, de 49 anos. "Acho que a última vez foi quando o Corinthians saiu da fila de títulos", lembrou, referindo-se ao título paulista de 1977.
Bandeiras e bonés comemorativos da possível conquista do Mundial também foram bastante procurados pelos torcedores. "O pessoal está animado por causa dos dois títulos brasileiros consecutivos; estão metendo a mão no bolso, mas acho que não terão o porquê de comemorar", afirmou Benedito, um palmeirense "doente".