São Paulo, 22 (AE) - A lei do silêncio voltou a ser adotada pelos jogadores do Corinthians hoje. De agora em diante, eles só vão falar após os jogos, a exemplo do que aconteceu no domingo, na vitória por 2 a 0 diante do Guarani, no Morumbi. A medida, no entanto, já começa a evidenciar certas discordâncias entre os próprios atletas, que pode até rachar o grupo no momento decisivo do Campeonato Brasileiro. Alguns querem falar, mas não podem. A decisão de ficar calado foi tomada por meio de uma votação. Edílson e Vampeta são os líderes do movimento.
"Não falo quando estou concentrado", disse Vampeta, objetivo, no domingo. Hoje à noite, os jogadores já estavam reunidos em um hotel. Ricardinho, por outro lado, acreditava que as coisas poderiam voltar ao normal. Rincón também não concorda com o silêncio. Dinei, contrário desde o início, até brincou, hoje. "Estou louco para falar, mas não posso." A comissão técnica, embora contra o silêncio, dá liberdade aos atletas tomar qualquer posição.
"Tenho conversado ainda com eles, mas, por enquanto, permanece a decisão deles de não falar", contou, hoje, o técnico Oswaldo de Oliveira. "Espero que tudo corra bem e possamos resolver isso." O treinador, bastante constrangido ao comentar o assunto, tenta recorrer ao argumento de que os atletas estão, ao menos, conversando e buscando a união. A realidade, porém, é que há descontentes.
Os jogadores reapresentaram-se hoje à tarde no Parque São Jorge. Edílson chegou atrasado, mas teve o erro contemporizado pela comissão técnica. Oswaldo assistiu a um coletivo entre uma equipe reserva e um terceiro time, formado por atletas jovens. Luizão, recuperado de uma contusão muscular, jogou por alguns minutos e agradou ao treinador. "Ele (Luizão) deve ser aproveitado no próximo jogo" O atacante
contudo, não deve jogar toda a partida.
Oswaldo ainda não decidiu quem serão os laterais no terceiro jogo contra o Guarani, quartra-feira, no Morumbi, pelas quartas-de-final do Brasileiro. César Prates e Augusto já cumpriram suspensão automática e têm condições de voltar ao time. Prates pode ficar com a vaga de Índio pela direita. Kléber
por outro lado, teve uma atuação elogiada pelo treinador e pode ser mantido pelo lado esquerdo.
A idéia do treinador é de não poupar nenhum jogador, apesar da vantagem do Corinthians de poder perder por uma diferença de até dois gols para passar à semifinal. "Ainda não conseguimos nossa classificação e temos de respeitar o Guarani"
contou Oswaldo. "Temos de ter os pés no chão e nos cercar de todos os cuidados.
Com a força máxima em campo, o Corinthians vai atuar de uma forma diferente em relação aos dois primeiros jogos, segundo Oswaldo. "Não podemos jogar fora em 90 minutos uma vantagem que levamos 21 rodadas para conseguir na primeira fase", justificou o treinador. Os corintianos serão cautelosos em campo.

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